O estado do Acre registrou ao menos 1.191 conflitos socioambientais entre os anos de 2002 e 2023, segundo dados do Observatório Socioambiental, plataforma lançada recentemente pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
As informações revelam que a maior parte dos conflitos está diretamente ligada à disputa por terra, que concentra 895 ocorrências — o equivalente a 75,1% do total. Em seguida aparecem casos de trabalho escravo, com 189 registros (15,9%), e episódios de violência contra pessoas, com 104 ocorrências (8,7%). Já os conflitos relacionados à água são minoritários, com apenas três registros.
O levantamento aponta que a concentração dos conflitos fundiários no Acre segue uma tendência nacional, onde a disputa por território é considerada o principal fator de violência no campo. Esse cenário tem se intensificado com o avanço da fronteira agrícola e a pressão sobre áreas ocupadas por povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos produtores.
Além dos conflitos, os dados ambientais também chamam atenção. O Acre acumula mais de 1,33 milhão de hectares desmatados no período analisado. Desse total, cerca de 51,3 mil hectares correspondem a desmatamento não autorizado, enquanto mais de 3 mil áreas sofreram embargos por irregularidades ambientais.
Outro ponto preocupante é o avanço das queimadas. Segundo o observatório, mais de 4,23 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo ao longo dos anos, evidenciando a pressão constante sobre a floresta amazônica.
Os dados reforçam a relação entre degradação ambiental e conflitos sociais no estado, mostrando que a expansão econômica, especialmente ligada ao uso da terra, continua sendo um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável na região.






