Uma família de Cruzeiro do Sul formalizou denúncias junto às autoridades competentes pedindo a investigação da assistência prestada a uma idosa de 102 anos que passou por amputação. Os familiares questionam possíveis falhas nos protocolos de atendimento e apontam indícios de irregularidades nos registros clínicos da paciente.
Segundo o relato da família, o primeiro atendimento ocorreu em 28 de março de 2026, na UPA de Cruzeiro do Sul, onde a idosa teria sido liberada apenas com prescrições de uso tópico e analgésicos, sem investigação complementar para o quadro de dor aguda que apresentava.
Em 4 de abril, a paciente foi levada ao Hospital Regional do Juruá com um marcador clínico alterado. O acompanhante teria solicitado a internação diante do estado de agonia visível da idosa, mas o médico plantonista optou pela alta hospitalar com medicamentos para uso domiciliar e solicitação de exame vascular para data posterior.
Menos de 24 horas depois, em 5 de abril, a paciente retornou à UPA, onde outro profissional determinou a internação imediata e remoção de urgência via ambulância. A família questiona por que a gravidade do quadro não foi reconhecida nos atendimentos anteriores, o que, segundo os familiares, teria resultado na perda de tempo crucial para o tratamento do membro afetado.
A denúncia também aponta possíveis irregularidades nos prontuários da UPA. A família alega que informações sobre atendimentos de janeiro de 2026 podem ter sido inseridas de forma equivocada, sugerindo um histórico crônico no membro amputado — a perna esquerda. Para sustentar o pedido de perícia, afirmam possuir registros fotográficos datados que demonstram que as queixas anteriores da paciente se referiam ao membro oposto, a perna direita.
O caso foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Cruzeiro do Sul, ao Ministério Público do Estado do Acre e ao Conselho Regional de Medicina do Acre por meio de representações formais. A família solicita a preservação das imagens das câmeras de segurança e a realização de perícia técnica nos sistemas de prontuário eletrônico. “Nós apenas queremos que as autoridades investiguem as contradições entre os papéis que recebemos e o que foi registrado no sistema”, afirmaram os familiares.






