Reunião no Senai debate criação de 15 microindústrias e medidas preventivas contra a Doença de Chagas. Especialista alerta que fruto não deve ser batido no chão para evitar contaminação.
A qualidade do açaí consumido em Cruzeiro do Sul e a segurança alimentar de toda a cadeia produtiva foram os temas centrais de uma reunião técnica realizada nesta semana no Senai. O encontro reuniu a Vigilância Sanitária Estadual, a prefeitura local e a Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) para alinhar boas práticas que vão desde a colheita até a comercialização do fruto.
Uma das principais novidades anunciadas é o projeto da Fieac em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secti) para a criação de 15 microindústrias na região. O objetivo é permitir que os produtores realizem o processamento e o transporte com padrões rigorosos de higiene.
Cuidados contra a Doença de Chagas
Um dos pontos mais críticos discutidos foi a prevenção da Doença de Chagas, que pode ocorrer quando o besouro (barbeiro) é triturado junto com o fruto. Lilian Farias, do Núcleo de Produtos e Alimentos da Vigilância Sanitária, alertou para uma prática comum que precisa ser erradicada: a de bater o cacho de açaí no chão para soltar os frutos.
“Nessa batida, eles esmagam o mosquito que está lá, a fruta sofre fissuras e a doença entra. Vamos tentar reformular essa prática. O Senai e o Sebrae darão cursos para que eles manipulem o fruto sem criar essas fissuras”, explicou Lilian.
Regras para o transporte e produção
Para garantir que o produto chegue ao consumidor em boas condições, a Vigilância Sanitária destacou critérios fundamentais:
- Transporte: Deve ser feito em sacos de primeiro uso, em local coberto e protegido do sol.
- Prazo: O tempo entre a colheita e a chegada ao batedouro não deve ultrapassar três dias para evitar a fermentação (que transforma o açaí em bebida alcoólica).
- Higiene: No batedouro, é indispensável o processo de branqueamento e o uso de água potável. Estão sendo articuladas parcerias para a perfuração de poços artesianos que garantam água de qualidade aos produtores.
“A cadeia produtiva começa quando o produtor sobe no pé. O açaí não pode sofrer fissuras, para que não entrem bactérias, garantindo assim a saúde pública da nossa população”, concluiu a representante da Vigilância Sanitária.






