Mesmo com níveis de qualificação superiores em muitos casos, as mulheres continuam recebendo salários menores que os homens no Acre. É o que revela o mais recente Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios divulgado pelo governo federal.
De acordo com o levantamento, as mulheres recebem, em média, 91,9% do rendimento dos homens no estado — ou seja, cerca de 8,1% a menos.
O estudo considera empresas com 100 ou mais empregados. No Acre, esse universo reúne 120 estabelecimentos, responsáveis por mais de 39 mil vínculos formais de trabalho. As mulheres ocupam 44,5% dessas vagas, o que demonstra presença significativa no mercado, mas ainda sem equivalência salarial.
A média salarial geral no estado é de R$ 2.472,66, enquanto as mulheres recebem, em média, R$ 2.356,89. Já no salário mediano, a desigualdade também aparece, mesmo que em menor proporção.
O relatório mostra ainda que a diferença se amplia em determinadas funções. Em cargos de direção e gerência, por exemplo, as mulheres recebem cerca de 85,3% do salário dos homens. Entre profissionais com nível superior, esse índice é de 84,4%, e nas funções operacionais chega a 79,7%, evidenciando que a desigualdade atravessa todos os níveis ocupacionais.
Outro recorte importante é o racial. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.298,54, enquanto mulheres não negras ganham R$ 2.565,32. Entre os homens, os maiores salários também estão entre os não negros, reforçando a desigualdade combinada de gênero e raça.
Apesar de o Acre apresentar uma diferença menor que a média nacional — onde mulheres recebem cerca de 78,7% do rendimento masculino — o cenário local ainda reproduz a desigualdade observada em todo o país, indicando que a equiparação salarial segue sendo um desafio.





