Moradora relata saída de casa por risco de animais peçonhentos e dificuldade de acesso durante cheia em Cruzeiro do Sul

Eliângela Marçal, de 40 anos, precisou deixar a residência com os filhos. Água isolou o quintal e comprometeu a estrutura de madeira do imóvel.

Eliângela Marçal, de 40 anos, precisou deixar a residência com os filhos. Água isolou o quintal e comprometeu a estrutura de madeira do imóvel.

A cheia do rio que atingiu o bairro Miritizal impôs uma mudança drástica na rotina da trabalhadora Eliângela Gomes Marçal, de 40 anos. Mãe de seis filhos — quatro deles morando com ela —, a moradora precisou abandonar temporariamente sua casa devido ao isolamento provocado pela água. O alagamento do quintal dificultou a mobilidade da família e atraiu animais peçonhentos para a vizinhança.

Eliângela trabalha durante o dia e faz um curso no período noturno, retornando para casa por volta das 22h. Com o nível da água elevado ao redor da residência, a travessia no escuro tornou-se perigosa. “Para eu voltar à noite por dentro da água fica difícil. Os meus filhos já não estavam mais estudando, a aula já tinha sido suspensa. Não tinha mais o que fazer lá sozinha na água”, explicou a moradora.

A decisão de deixar o local também foi motivada pela falta de segurança sanitária. A umidade e a invasão das águas trouxeram pragas para próximo da estrutura. “Tem muito inseto. É cobra, é escorpião, piolho de cobra e formiga. Ninguém conseguia dormir”, relatou.

Com a melhora do cenário, a família se organiza para retornar. Segundo Eliângela, a água não chegou a invadir o interior da residência nesta enchente, e um de seus filhos já realizou a limpeza inicial do terreno. O receio de encontrar novos animais no quintal durante o retorno, no entanto, é tratado com pragmatismo por ela: “Se a gente achar, a gente mata. É simples.”

Apesar de a água não ter entrado na casa, as inundações sucessivas na região deixaram marcas na estrutura do imóvel. A residência de madeira, erguida por Eliângela e por suas filhas com material reaproveitado de outras duas casas antigas, apresenta danos. “A madeira está precária. Algumas peças do assoalho já estão quebradas. Seria bom se dessem uma ajuda para a gente”, apelou.

Chefe de família, a moradora ressalta o esforço constante para garantir o sustento e o futuro dos jovens. “Faço papel de pai e mãe. Tenho que trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Trabalho de dia e estudo à noite, de segunda a sexta, para dar uma vida melhor para os meus filhos”, concluiu Eliângela.

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