Acre registra mais de 1,5 mil vítimas de estupro de vulnerável; especialista alerta para sinais de abuso infantil

Mais de 1,5 mil vítimas de estupro de vulnerável foram registradas no Acre entre 2024 e o primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Polícia Civil. Ao todo, o estado

Mais de 1,5 mil vítimas de estupro de vulnerável foram registradas no Acre entre 2024 e o primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Polícia Civil. Ao todo, o estado contabilizou 1.534 casos no período. Apesar da projeção de queda ao longo deste ano, os números ainda são considerados elevados e reforçam o alerta da campanha Maio Laranja, voltada ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Nesta segunda-feira, 18 de maio, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil. A data foi instituída em memória do caso de Araceli Cabrera Crespo, menina de 8 anos sequestrada, violentada e assassinada em 18 de maio de 1973, em Vitória. Desde então, a data é usada para conscientização e mobilização contra a violência sexual infantil.

Como identificar sinais de abuso

Segundo a psicóloga, mudanças bruscas de comportamento são alguns dos principais sinais de alerta. Crianças que costumavam ser comunicativas e passam a apresentar timidez excessiva, medo, isolamento ou agressividade devem ser observadas com atenção.

“Na maioria das vezes, crianças não conseguem expressar verbalmente o que estão vivendo. O sofrimento costuma aparecer muito mais através de comportamentos e mudanças emocionais”, explica Natália.

Ela também aponta que o abuso pode se manifestar fisicamente. Queixas de dores sem explicação médica, baixa imunidade, alterações no sono e dificuldades escolares podem estar relacionados a situações de violência.

Outro comportamento citado é a sexualização precoce ou regressão infantil, quando a criança passa a apresentar atitudes incompatíveis com a idade ou retorna a comportamentos de fases anteriores do desenvolvimento.

“Por isso, é essencial que os adultos estejam atentos à forma como essa criança passa a se relacionar com o mundo ao seu redor”, orienta.

Consequências podem durar toda a vida

A profissional destaca que os impactos da violência sexual não se restringem ao momento do abuso e podem se estender por toda a vida.

Entre as consequências imediatas estão medo, ansiedade, irritabilidade, insegurança, dificuldades de aprendizagem e isolamento social.

“É comum surgirem medo, ansiedade, alterações no sono, dificuldades escolares, isolamento, irritabilidade, regressões comportamentais e mudanças bruscas de humor. Muitas crianças passam a viver em estado constante de alerta e insegurança”, afirma.

A médio e longo prazo, o trauma pode resultar em dificuldades afetivas, baixa autoestima, depressão, transtornos emocionais, problemas na sexualidade, dependência emocional e repetição de ciclos de violência.

De acordo com Natália, muitas crianças demoram para relatar o abuso por medo, culpa, vergonha ou ameaças feitas pelo agressor.

“Muitas vezes o agressor manipula emocionalmente a vítima, fazendo com que ela acredite que será culpada, desacreditada ou que algo ruim acontecerá caso conte para alguém”, relata.

A recomendação é que o adulto nunca desacredite o relato. A orientação é acolher, proteger e ouvir sem julgamentos ou pressão.

“A forma como o adulto reage é decisiva. Acolher é escutar sem julgamentos, sem desespero e sem pressionar a criança. É olhar para ela e transmitir segurança”, explica.

Segundo a psicóloga, frases simples como “eu acredito em você” e “a culpa não é sua” ajudam a criança a se sentir segura para relatar o que está acontecendo.

Onde denunciar

Casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos, disponível 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados.

Também é possível buscar ajuda por meio do Conselho Tutelar, delegacias especializadas, unidades de saúde, Polícia Militar pelo 190, SAMU pelo 192 e Ministério Público do Acre.

A psicóloga reforça que o enfrentamento à violência sexual infantil deve ocorrer durante todo o ano e não apenas em maio.

“Muitas crianças sofrem em silêncio. Comportamentos vistos como birra, malcriação ou antipatia podem, na verdade, ser pedidos de socorro”, alerta.

Por A Gazeta do Acre 

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