A cheia do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul se consolida como uma das ocorrências mais significativas dos últimos anos no município. Na medição de sábado da Defesa Civil, o rio atingiu 14,19 metros, permanecendo acima da cota de transbordo, estabelecida em 13 metros. O nível atual se aproxima de marcas históricas registradas nas grandes cheias de 2017 e 2021.
Ao todo, 7.087 famílias foram diretamente atingidas pela elevação das águas, o que representa cerca de 28.350 pessoas impactadas em diferentes níveis. Entre os casos mais graves, 61 famílias estão desabrigadas e acolhidas em abrigos públicos, enquanto outras 624 famílias deixaram suas casas e buscaram refúgio com parentes ou amigos. Os abrigos, instalados em escolas municipais e estaduais adaptadas, já atendem 271 pessoas, entre adultos, crianças, idosos e pelo menos cinco pessoas com necessidades especiais.
A enchente se espalha por diferentes regiões da cidade. Pelo menos 12 bairros foram atingidos, incluindo Saboeiro, Cruzeirinho Novo, Remanso, Miritizal, Lagoa e Várzea. Na zona rural, 15 comunidades também registram impactos, além de áreas ribeirinhas ligadas ao Juruá Mirim, Valparaíso, Rio Liberdade e Rio Campinas. Três vilas também foram afetadas pela subida das águas.
Os efeitos da cheia comprometem ainda a infraestrutura do município. Diversas unidades de ensino foram atingidas, o que impacta o calendário escolar. Unidades de saúde também enfrentam dificuldades de funcionamento. Mais de 300 famílias estão sem fornecimento de energia elétrica em razão da inundação nas áreas de risco.
A Defesa Civil de Cruzeiro do Sul segue monitorando a situação em tempo real. O comportamento do rio nas próximas horas será determinante para avaliar se o nível permanecerá estável, continuará subindo ou começará a baixar. As autoridades orientam os moradores de áreas vulneráveis a redobrar a atenção e seguir as recomendações oficiais.






