Aos 66 anos, Maria Ducinês vende verduras no Mercado do Agricultor e sustenta os filhos mais novos sozinha há seis anos
A voz embargou antes mesmo de terminar a primeira frase. Maria Ducinês, 66 anos, mãe de 22 filhos e vendedora de verduras no Mercado do Agricultor, não conseguiu falar sobre o Dia das Mães sem se emocionar. A data reúne, para ela, dois sentimentos que se misturam: a gratidão pela maternidade e a saudade da própria mãe, morta há nove anos.
“Quem tem sua mãezinha, agradeça muito, porque eu não tenho mais a minha”, disse ela, com os olhos marejados. “A falta é sempre ali. Só lembrando da bondade dela.”
A história de Maria Ducinês é marcada por perdas e resistência. Além da mãe, ela perdeu o marido há seis anos. Desde então, assumiu sozinha a responsabilidade de sustentar os filhos mais jovens que ainda vivem com ela. Sem dividir o peso com ninguém, encontrou nas verduras que vende todas as semanas o meio de manter a família de pé.
“Sou mãe e pai dentro de casa. Deus levou meu velho e eu fiquei batalhando”, afirmou. “Mas sempre continuei para não mandar ver meus filhos em casa de ninguém pedindo um pouco de café. Tudo é coisa do meu suor.”
Dos 22 filhos, nem todos chegaram à idade adulta. Maria Ducinês mencionou, com naturalidade e dor ao mesmo tempo, que perdeu alguns ao longo da vida. “Deus tirou um bocado, mas ainda tenho outro bocado”, disse, numa frase que carrega a resignação de quem aprendeu a conviver com a perda sem deixar de seguir em frente.
A trajetória dela é a de muitas mulheres brasileiras que sustentam lares sozinhas, sem rede de apoio formal, vivendo do trabalho informal e da própria determinação. No caso de Maria Ducinês, o sustento vem da feira. É lá, entre bancas de legumes e verduras, que ela aparece semana após semana, não apenas para vender, mas para garantir que nenhum filho seu precise pedir o que ela pode dar.
A saudade da mãe, porém, é uma dor que a feira não cura. Nove anos depois da perda, o Dia das Mães ainda é uma data que aperta. Para Maria Ducinês, a mãe “está sempre no ponto ali”, presente na memória, nas lembranças da sua bondade, no vazio que esse tipo de ausência deixa e que o tempo não apaga por completo.
Com lágrimas e firmeza na mesma fala, ela deixou um recado simples e direto para quem ainda tem a mãe por perto: valorize enquanto é tempo.
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