OMS declara emergência internacional após surto raro de Ebola no Congo e Uganda

Segundo a OMS, o cenário atual pode ser maior do que o registrado até o momento, com risco de disseminação local e regional.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou na noite do último sábado, 16, uma emergência de saúde pública de âmbito internacional após a identificação de um surto do vírus Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A agência esclareceu que o surto não é classificado como pandemia, pois ainda não atende aos critérios necessários para essa categorização.

Segundo a OMS, o cenário atual pode ser maior do que o registrado até o momento, com risco de disseminação local e regional.

Até o momento, foram confirmados oito casos laboratoriais do vírus, além de 246 casos suspeitos e 80 supostas mortes em três zonas de saúde, incluindo Bunia, capital da província de Ituri, e as cidades de Mongwalu e Rwampara. Um caso também foi detectado na capital Kinshasa, possivelmente em um paciente que retornou de Ituri.

Fora da RDC, dois casos foram registrados em Uganda. O governo ugandês confirmou a morte de um homem de 59 anos que testou positivo para o vírus.

Um novo caso confirmado em Goma, cidade no leste da RDC, elevou a preocupação das autoridades sanitárias. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do país, a paciente é esposa de um homem que morreu de Ebola em Bunia.

“Um caso positivo em Goma foi confirmado por exames laboratoriais. Trata-se da esposa de um homem que morreu de Ebola em Bunia, que viajou para Goma após a morte do marido, já infectada”, informou o professor Jean-Jacques Muyembe, diretor do instituto, em declaração à agência AFP.

O vírus e os sintomas

O surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus Ebola, uma variante rara para a qual não existem medicamentos ou vacinas aprovadas, segundo autoridades sanitárias.

O Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, fadiga, dor de cabeça e dor de garganta. Em estágios mais avançados, podem surgir vômitos, diarreia, erupções cutâneas e sangramentos internos e externos.

Profissionais de saúde usando equipamentos de proteção iniciam seu turno em um centro de tratamento de Ebola, no Congo — Foto: AP Photo/Jerome Delay, Arquivo

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