Para Celene Lourenço, 71 anos, ser mãe nunca teve prazo de validade. Mãe de cinco filhos e avó, ela falou com entusiasmo sobre a maternidade no Dia das Mães e defendeu, com convicção, que o papel da mãe vai muito além de garantir comida e teto. Para ela, ser mãe é presença diária, é cuidado, é luta, e começa de manhã cedo, com a bênção.
“Ser mãe é uma dádiva de Deus, porque filho é bênção. Você cria os filhos e depois vêm os netos. Ser mãe é bom demais, é um privilégio”, afirmou, com o sorriso de quem fala do que conhece bem.
Celene também fez questão de deixar um recado para quem ainda tem a mãe por perto. Ela perdeu a sua e carrega a saudade com a naturalidade de quem já aprendeu a conviver com a ausência. “Quem tem sua mãe, cuide bem. Porque depois que Deus chama, aí pronto. Só fica saudade”, disse.
Um dos pontos centrais do relato de Celene foi a defesa da presença ativa da mãe na vida dos filhos, independentemente da idade deles. Para ela, a escola cumpre um papel importante, mas não substitui o que é função da família. “A escola só complementa. Nós, mães, todo dia temos que ter o mesmo sermão”, afirmou, bem-humorada.
Ela também tocou em um ponto que muitas mães reconhecem: o filho pode crescer, pode ter 18, 30 ou 50 anos, mas para a mãe ele sempre será um menino que precisa de cuidado. “O filho pode ser homem, mas sempre para a mãe é menino. Quando sai, a gente sempre recomenda a Deus, porque a gente não sabe o que ele vai encontrar pela frente”, disse.
Celene é enfática ao dizer que a mãe precisa ser a principal cuidadora e incentivadora do filho, aquela que luta para que ele fique bem na vida. Não por superproteção, mas por amor e responsabilidade. “A mãe tem que ter muita disposição para dar carinho e cuidar bem.”
Entre os valores que mais defende, Celene destacou um hábito que, segundo ela, se perdeu com o tempo: a família reunida à mesa. Para ela, sentar juntos para o café, o almoço e o jantar não é detalhe, é um gesto de união que fortalece os laços entre pais e filhos. “Tem que sentar na mesa junto. Só se estiver trabalhando. Mas se estiver em casa, não tem desculpa”, disse, com firmeza.
Outro costume que ela lamenta ver desaparecer é o de pedir a bênção. Para Celene, o gesto vai além da tradição religiosa, é uma forma de manter o respeito e a proximidade entre filhos e mães, mesmo quando a distância física separa a família. “Do tempo antigo, do tempo que se toma a bênção da mãe de manhã. Mora longe? Liga o telefone e toma a bênção assim mesmo”, defendeu.
Aos 71 anos, Celene Lourenço fala da maternidade como quem viveu cada palavra que diz. Sem romantizar e sem minimizar o peso da função, ela resume o que aprendeu em décadas de prática: ser mãe é trabalho, é busca, é presença, e é, acima de tudo, a maior bênção que ela conhece.






