Uma década de ponte da União. O que mudou com a ligação dos dois distritos de Cruzeiro do Sul
Dez anos já se passaram da inauguração da ponte da união. No valor de 150 milhões a ponte é a primeira construída no Juruá.
Por muito tempo a construção da ponte sobre o rio Juruá foi um sonho para os moradores do 2º distrito de Cruzeiro do Sul. Por ficar do lado oposto à cidade, o bairro Miritizal sempre recebeu poucos investimentos do poder Público. Em sua maioria, era uma área habitada por pescadores e as casas quase todas construídas em madeira.
Para visitar o local, só quem tinha compromisso, mas essa realidade foi mudada a partir da construção da ponte da União.
Com a ponte veio o progresso para o Bairro Miritizal. Ruas foram abertas e pavimentadas, escolas e creches foram construídas. As casas de madeira começaram a ser substituídas pelas de alvenaria. A área foi valoriza, e as perspectivas são as melhores com a construção de pontos comerciais.
O comerciante do bairro Miritizal, José Francisco, lembra muito bem da dificuldade que era morar no bairro. O acesso era difícil, áreas alagadas, ausência de ruas, um verdadeiro abandono. Ele conta que há cerca de 10 anos tentava manter um comércio de 20m² com poucos clientes. “A gente morou muito tempo desse lado de cá sem saber o que era progresso, poder público, sem ter nada. E o sonho, a única esperança de melhorar a nossa vida era realmente a construção da ponte”, comentou.
Nos últimos 10 anos a vida de José Francisco, como de centenas de outros moradores, mudou totalmente. O comércio que era de apenas 20 m², hoje está com uma estrutura de 200 m², e com uma clientela de 90% do primeiro distrito. “A construção da ponte nesses 10 anos mudou a nossa vida praticamente em tudo. Meus clientes, 90 %, são lá do outro lado do Rio. O meu faturamento não dar nem para comparar com o outro período”, enfatizou o comerciante.
UMA RETROSPECTIVA:
https://youtu.be/BccJ1sGDFv0
Antes da ponte, chegar ao bairro Miritizal, só de canoa. E essa era a profissão de muita gente. Fazer a travessia de quem necessitava chegar à outra margem do rio era o que mantinha as famílias de centenas de catraieiros. Com a chegada da ponte apenas cerca de 40 catraieiros permanecem trabalhando as margens do Juruá. É o caso catraieiro Raimundo Nonato Rogério, 63 anos, que trabalha há 40 anos fazendo a travessia. Com a ponte ele viu a renda cair em mais de 200%, mesmo assim decidiu ver o lado bom da construção.
“Antes da ponte nem a polícia ia lá do outro lado. Se o bandido aprontava não adiantava nem chamar a polícia porque não dava tempo eles chegarem lá para prender o criminoso. Hoje não, com a ponte, em poucos minutos eles estão lá. Foi um progresso sem tamanho”, contou o trabalhador.
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Já para Nonato Coelho, também morador do Miritizal, apesar de ter sido inaugurada há 10 anos o bairro ainda vive um sonho. As mudanças e benefícios estão chegando até hoje. Segundo o ribeirinho nunca imaginou que a prefeitura, sede o município, fosse funcionar no bairro. E tudo isso só aconteceu graças a ligação dos dois distritos.
“Hoje os terrenos, as áreas do bairro Miritizal estão valendo quase a mesma coisa dos terrenos no centro da cidade. A terra ganhou valor. Nunca, nunca. A gente queria a ponte, mas nunca imaginou que a prefeitura fosse funcionar no bairro Miritizal”, concluiu.
Com 550 metros de extensão a ponte sobre o Rio Juruá é maior do Acre e é uma das três pontes estaiadas do Brasil e a única, em todo o país, preparada contra terremotos. A obra se tornou um cartão postal da cidade. Local visitado por turistas e muitos cruzeirenses no final do dia. Uma obra que realmente mudou a história de muita gente.