Após quase 35 dias acorrentado, candidato do cadastro de reserva da Polícia Civil dá fim a protesto e sai da frente do Palácio Rio Branco
Após ficar quase 35 dias acorrentado em frente ao Palácio Rio Branco, o candidato do cadastro de reserva da Polícia Civil do Acre Jorge Orleans, de 24 anos, deixou o local nesta terça-feira (4). Ele, que é morador do município de Cruzeiro do Sul, estava no local desde o dia 1º de dezembro do ano passado e pedia a convocação dos aprovados no concurso.
O governo, por meio da porta-voz, Mirla Miranda, afirmou que recebeu o candidato para conversar várias vezes. O Executivo alegou que não pode convocar os candidatos devido à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ao g1, Orleans disse que chegou a conversar, ainda nesta terça (4), com uma equipe do governo mas que a resposta foi a mesma, que ele e os demais aprovados não iriam ser chamados.
“Falaram que vão chamar mais 24, de acordo com a vacância, mas não estou contemplado se forem chamadas apenas mais 24 pessoas. Agora vou voltar para Cruzeiro do sul na próxima semana. Aqui em Rio Brando eu estou na casa de parentes e preciso voltar para casa”, disse.
De acordo com o candidato, a sensação é de dever cumprido, pois ele fez tudo o que pode para tentar ser chamado e ter a oportunidade de assumir um cargo público.
“Disse que ficaria até o final do mês de dezembro, tentei conversar com o governo, mas o governo não quis dialogar, levar em consideração meus argumentos, cumpri com minha palavra, mas o governador não conseguiu cumprir com a dele. Meu sentimento é de dever cumprido, mas o governador não fez o que prometeu e não cumpriu”, finalizou.
O concurso da Polícia Civil para preenchimento de 250 vagas ocorreu em 2017 quando o governador do estado ainda era Tião Viana (PT). Porém, durante a campanha, a convocação do cadastro de reserva era uma das promessas de Cameli, que nas eleições afirmou que iria convocar de imediato todos os candidatos que passaram nos últimos concursos da polícia e abrir um novo concurso.
Além do protesto do acorrentado, os aprovados no concurso também chegaram a fazer um vídeo com a história de Orleans. Filho de criador de porcos e pedagoga na zona rural, ele contou que o concurso era sua chance de mudar de vida.
Ele falou que decidiu ficar em Rio Branco no final de novembro e, como a família não tinha recursos para bancar a viagem, as passagens foram dadas por uma prima.
No vídeo, veiculado pelo grupo do cadastro de reserva, Orleans se emociona ao falar da sua trajetória.
“Surgiu o concurso da Polícia Civil e minha família me incentivou, meus primos me incentivaram e eu peguei e fiz. Quando olhei a prova pensei: passei, mas aí começou uma luta. Começaram as etapas do concurso, boa parte dessas fases tinha que vir para Rio Branco e a gente é pobre, não tem muito recursos, e o tempo estava passando para entregar os documentos e minha família sempre esteve ao meu lado, me apoiando e meu sonho passou a ser o sonho da minha família”, relata.
g1