Rio Juruá e já atinge cerca de 30 mil pessoas e mais de 80 famílias foram levadas para abrigos
Maria da Conceição, de 40 anos, mora no bairro da Várzea há pelos menos 20 anos. A água invadiu o quintal da casa dela. Em um canto improvisado estão as galinhas. Segundo a dona de casa, devido às alagações, já perdeu muitos móveis. Para evitar novos prejuízos, ela acionou a defesa civil para fazer a retirada antes que a água chegue ao assoalho da casa. “Estou cansada. Todo ano é a mesma coisa. Se eu tivesse condições já teria comprado um casa em outro local”, disse Maria Conceição.
Na casa do aposentado Manoel Oliveira, de 78 anos, a água já ameaça entrar na casa dele. Com uma vara fixada no quintal ele acompanha com atenção o movimento das águas. O aposentado já se preparou, comprou tábuas, para que se necessário, fazer um trapiche dentro de casa. Ele não pretende ir par ao abrigo.
Nas ultimas 12 horas o rio encheu 05 cm, chegado na manhã desta segunda-feira a 13, 90 e já são centenas de casas que estão com a acima do assoalho. A defesa civil já levou 84 famílias para abrigos públicos e mais 300 estão em casas de parentes.
Os dados da defesa civil e corpo de bombeiros mostram que mais de 28 mil moradores da cidade de Cruzeiro do Sul estão afetados pela enchente. Quase 1.500 pessoas foram removidas de suas casas e levadas para abrigos, casas de parentes ou aluguel social. E a previsão, segundo o corpo de Bombeiros, é de que o rio Juruá em Cruzeiro do Sul continue enchendo, já o manancial voltou a ganhar água nos município de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter.
Cruzeiro do Sul já montou 12 abrigos em escolas. A escola Maria Lima, serve hoje de abrigo, para nove famílias. A família de Joice de Brito é uma das 7 mil afetadas pela água do manancial. Com um filho de apenas 1 mês ela optou em sair de casa. A sala de aula se transformou em quarto e cozinha. “Não aguentei. As formigas estavam invadindo tudo. Tinha também o risco de cobras. Casei agora, fiz a minha casa agora, essa é a minha primeira experiência de alagação. É horrível”, desabafou Joice Brito.
Para agilizar e facilitar o trabalho de assistência às famílias foi montada uma tenta de apoio, bem no centro da cidade as margens do rio. Mais de 50 homens estão empenhados no auxilio as famílias atingidas.