Crianças, jovens e adultos da etnia Poyanawa se reuniram para celebrar o Dia Nacional do Índio em Mâncio Lima.
Pinturas, penas, adereços e cores. Foi assim que amanheceu a Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima. Todo o povo se mobilizou para celebrar. No dia do índio não poderia ser diferente. O povo comemorou com muita música e dança.
Em um único lugar, várias gerações se encontraram. Crianças, jovens e adultos em um verdadeiro momento de aprendizado com danças e rituais que contam a história e acultura d eu povo.
Durante a festa foram realizadas apresentações de dança e o consumo de caiçuma, cerveja da floresta, feita à base de mandioca. Para o cacique Joel Poyanawa, essa é uma oportunidade de passar para as novas gerações parte da cultura e tradições do povo. “Esse é um momento para a gente se reunir e colocar em prática todo o conhecimento que foi nos passado pelos ancestrais. É um momento de muita alegria e felicidade par ao nosso povo”, disse o cacique.
No início do século XX, com o aumento da presença do homem branco na região, os antepassados dos atuais Poyanawas foram obrigados a fugir de suas terras. Muitos foram mortos e outros escravizados, fazendo com que parte da cultura e costumes fossem perdidos .
Nas ultimas décadas as novas lideranças vem realizando um trabalho de resgate dos costumes, inclusive da língua que não era mais falada pela maioria do povo. Carol Puyanwa é fruto desse resgate e fala da alegria em ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a própria herança. “Como jovem indígena fico muito feliz em participar dessa festa. Há uns 40 anos nada disso existia, nossa cultura foi quase extinta, e graças a nossa escola, as atividades realizadas no dia 19 de abril é que nós fomos aprendendo as nos pintar, a danças e até a falar a nossa língua. Agora é nosso dever levar essa cultura as novas gerações que viram, esse será o nosso legado. Repassar aquilo que que repassaram a nós”, enfatizou Carol.
Com o fortalecimento da cultura indígena o etnoturismo vem se mostrando um grande potencial para a região. O estado já trabalha na elaboração do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo Indígena para ampliar os investimentos nas aldeias.
Além de celebrar o dia do índio, a festa marca o retorno das atividades culturais abertas ao público. Foram dois anos de portas fechadas para aos visitantes. A dança iniciou nas primeiras horas do dia e sem hora para acabar. “Essa é a primeira de muitas que virão. Estamos hoje, além do dia do índio, celebrando a vida, depois das perdas que tivemos. É um momento de muita alegria”, finalizou o cacique Joel Puyanawa.