VIDA DESTRUÍDA PELA DROGA: “Não quero que meus filhos me vejam assim”, diz mãe de cinco filhos que agora vive nas ruas de Cruzeiro do Sul.
Marta conta que o vício começou, a cerca de cinco anos, quando recebeu o convite despretensioso do marido para fumar maconha. “Experimentou poucas vezes”, e quando se deu conta, o entorpecente não estava mais fazendo efeito e foi preciso aumentar a quantidade, ate partir para outras drogas.
Encontramos marta arrastando uma mala no centro de Cruzeiro do Sul. Ela era moradora do ramal 7, na região da BR-364, e após a morte do marido, já viciada, abandonou os cinco filhos e vive há 3 anos como moradora de rua. “Minha vida na zona rural como agricultora era perfeita. Eu era muito feliz, pescava, plantava, vivia com meus filhos. Era maravilhoso. Minha vida era normal. Sempre trabalhei. Tinha tudo que precisava par ser feliz”, contou em lágrimas.
Ainda chorando ela falou que com a morte do marido a situação só se agravou, viu aos poucos os amigos e conhecidos se afastarem. O desejo de marta é vencer o vício, mas segundo ela falta forças e incentivo. Quando a saudade aperta e consegue alguns “trocados” ela vai até a comunidade onde morava, mas a abstenção a obriga a retornar às ruas. “Consigo ficar alguns dias sem fumar, mas depois vem à vontade, a fissura. Aí não resisto. Queria poder voltar atrás, ver meus filhos crescerem. Se pudesse voltar no tempo faria tudo diferente”, desabafou.
Hoje Marta é uma das moradoras de rua que ocupa parte de um prédio público abandonado no centro de Cruzeiro do Sul. Apesar da situação de dependência química ela sabe muito bem dos agravos causados pela droga tanto para saúde física como social. Não desejando a situação que vive à ninguém, aproveitou a situação para deixar a mensagem.
“Para os jovens, aqueles que tem vontade ou curiosidade de experimentar droga, o que eu digo é que nunca experiente, nunca puxe o primeiro trago, nunca coloque a primeira garrafa na boca. É um caminho quase sem volta. Pra entrar, a porta é bem larga, já pra sair é bem estreitinha que você não consegue passar”, concluiu Marta, e seguiu viagem com sua mala sem saber qual o destino ou caminho a seguir