Produtores do Juruá aprimoram conhecimentos sobre fabricação de farinhas temperadas
Com o objetivo de ampliar conhecimentos sobre o processo de fabricação de farinha de mandioca temperada com especiarias, agricultores familiares do Juruá participam de oficina ministrada pela Embrapa Acre, no período de 2 a 5 de maio. A capacitação faz parte do projeto Agregação de valor à farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, desenvolvido pela Embrapa Acre, e será realizada no escritório da Empresa, em atendimento a demanda da Cooperativa Juruá Alimentos, entidade representativa que reúne produtores de farinha de diferentes municípios da regional Juruá.
De acordo com a pesquisadora Joana Maria Leite de Souza, ministrante da oficina, o foco da atividade é a melhoria do processamento da matéria prima utilizada, elaboração e controle de qualidade de dois tipos de farinhas com sabor picante: uma temperada com pimenta outra com gengibre. Serão abordadas as Boas Práticas de Fabricação, procedimentos essenciais no ambiente de produção das agroindústrias de alimentos e para os manipuladores de matérias primas, e aspectos relacionados à seleção e controle de qualidade de matérias primas, além da definição de formulações das especiarias a serem utilizadas no preparo de cada farinha, por meio de atividades práticas.
“O projeto prevê uma agenda de capacitações para 2023, com oficinas mensais, e vai apoiar também com a realização de análises para aferição da qualidade das farinhas temperadas, determinação do tempo de prateleira e definição do padrão de rotulagem do produto. Enquanto os produtores aprimoram aspectos da produção das farinhas temperadas, a Juruá Alimentos atua na organização da parte operacional, com instalação de cozinha industrial, para disponibilizar esses produtos para o mercado, já que essa cooperativa é uma empresa recém-criada”, diz Joana Leite.
As farinhas temperadas representam uma alternativa para diversificar a renda dos produtores que se dedicam à produção de farinha de mandioca no Juruá. Alguns estados do Norte e Nordeste já contam com algumas variações destes produtos, bastante apreciadas pelos consumidores. Com a adição de especiarias, a farinha de mandioca passa a ser um produto enriquecido e ganha qualidade nutricional. No caso das farinhas que serão produzidas no Juruá, além de estabelecer as quantidades adequadas dos temperos, vamos definir o tipo de pimenta e a variedade a ser utilizada.
O público da capacitação será formado basicamente por mulheres produtoras de farinha, que vão integrar a cooperativa Juruá Alimentos. Elas poderão ampliar tanto a produção de farinha como a diversificação do produto. Além disso, poderão atuar na produção de especiarias para as farinhas temperadas e contar com matérias primas de qualidade. O diferencial das farinhas temperadas do Juruá é que o produto será elaborado com uma farinha genuinamente da região, que possui selo de Indicação Geográfica (IG).
“Como a farinha de mandioca é um alimento consumido por grande parte da população do Acre e outros estados do Brasil, melhorar o seu valor nutricional é uma forma de contribuir com a segurança alimentar das famílias. Sabemos que tanto a pimenta como o gengibre possuem propriedades nutricionais e outras substâncias que beneficiam a saúde. Na Amazônia, temos outras possibilidades de agregar valor a esse produto, incluindo a adição de polpa de frutas como o buriti, fonte natural de vitamina A”, ressalta a pesquisadora.
Diva Gonçalves – Embrapa Acre