Menina de 12 anos morre com suspeita de leptospirose no hospital do Juruá em Cruzeiro do Sul
Adriangela de Souza, conhecida como Drica, uma garota de apenas 12 anos de idade, faleceu com suspeita de leptospirose no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, durante a madrugada de domingo para segunda-feira, dia 10.
De acordo com informações médicas, ela apresentou a Síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias, que são manifestações graves da leptospirose.
Drica, que vivia com seus pais e irmãos na comunidade São Salvador, no Rio Môa, em Mâncio Lima, era uma criança especial e sofria de epilepsia. Ela recebia aposentadoria pelo INSS. Seu funeral ocorreu nesta segunda-feira, dia 10, no Cemitério na colônia São Francisco.
A mãe da menina, Ana Cleide Cruz de Souza, relatou que Drica começou a passar mal em casa no sábado. Ela teve febre, dores no corpo e vomitou sangue. Levaram-na para o Hospital Abel Pinheiro em Mâncio Lima, onde o atendimento não teria sido adequado.
“Eu pensei que fosse malária. Ela estava com pressão e saturação baixas e ficou em uma cadeira e em uma cama sem lençol, apenas recebendo soro. No domingo, um técnico de enfermagem conectou o oxigênio de uma vez, houve um estalo, ela gritou de dor e ele nem se importou. Ela então ficou apenas roncando e piorou, sendo transferida para o Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, onde foi entubada, mas não resistiu e faleceu durante a madrugada”, conta a mãe, abalada, que afirma não saber ao certo a causa da morte da filha. “Não me disseram exatamente: sua filha morreu disso, algo concreto”, reclama.
Outro residente de Mâncio Lima, Francisco Moreira, da Comunidade Ribeirinha Pé da Serra, também faleceu com sintomas de leptospirose.
Em Mâncio Lima, que está a 32 quilômetros de Cruzeiro do Sul, foram confirmados seis casos de leptospirose, enquanto o sétimo está sendo investigado.
Em nota, a direção do Hospital Dr. Abel Pinheiro, em Mâncio Lima, esclareceu que a paciente deu entrada no dia 8 de julho com queixas de cefaleia, dor torácica, febre e dor nos membros inferiores. Após a avaliação, constatou-se baixa pressão, saturação e respiração alterada.
“Diante disso, ela foi encaminhada à emergência, onde foi estabilizada, e em seguida transferida para a sala de observação hospitalar até ser encaminhada ao leito, onde foram realizados exames de sangue, PCR, raio-x de tórax e teste de Covid-19”, diz a nota.
De acordo com a unidade, a decisão de transferi-la para o Hospital do Juruá foi tomada no dia seguinte devido à piora dos níveis de pressão arterial e saturação da paciente. Enquanto esteve na unidade, ela recebeu todos os cuidados necessários.
“Por fim, enfatizamos que a administração da unidade não recebeu, até o momento, reclamações relacionadas ao atendimento prestado à paciente durante o período em que esteve sob nossa responsabilidade. Assim que formalizado, iniciaremos os procedimentos necessários para apurar os fatos”, afirmou Hélio Bentes da Costa Neto, Gerente Geral do Hospital Dr. Abel Pinheiro Maciel Filho.