Acre registra alto número de focos de incêndio em julho e Cruzeiro do Sul foi o que mais queimou
Nos primeiros 14 dias de julho, o estado do Acre já registrou 42 focos de incêndio, de acordo com o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que disponibiliza os dados em seu site oficial. Esse número se aproxima do total de focos detectados durante todo o primeiro semestre, que foi de 48 ocorrências de janeiro a junho. No mesmo período de 2022, houve uma redução de 65% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior, que contabilizou 137 registros.
Os índices alarmantes do mês de julho marcam o início do preocupante período de seca no estado, quando ocorrem os maiores índices de queimadas. No ano de 2022, o Acre registrou o segundo maior número de área queimada da série histórica, totalizando 322.019 hectares, ficando atrás apenas de 2005.
Entre os municípios acreanos, Cruzeiro do Sul foi o que registrou o maior número de focos de queimadas, com 11 ocorrências, seguido por Feijó, com 7, e Brasiléia, com 4. A capital, Rio Branco, apresentou um dos menores índices registrados pelo satélite Aqua, com apenas um foco identificado.
Em 11 de julho, o miniMAP, iniciativa trinacional de Gestão de Risco e Defesa Civil de Madre de Dios (Peru), Acre e Pando (Bolívia), divulgou previsões para a região, indicando uma grande probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal nos próximos três a cinco meses. Essa previsão aumenta a preocupação com problemas de abastecimento de água, ondas de calor e queimadas acidentais em áreas agrícolas e florestais. Os incêndios florestais resultam em altos níveis de fumaça, com implicações sérias para a saúde humana e ambiental, conforme ressaltado pela publicação assinada por especialistas das três regiões.
Diante desse cenário, o miniMAP recomenda às autoridades a preparação e implementação de planos de contingência para abastecimento de água, identificação e controle de queimadas, redução dos impactos das ondas de calor em populações vulneráveis e monitoramento da qualidade do ar para adoção de medidas que minimizem os efeitos da fumaça na saúde humana e ambiental.
Até o momento, a plataforma de monitoramento da qualidade do ar, fruto da parceria entre a Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Ministério Público (MP-AC), não registra impactos das queimadas nos níveis considerados seguros para a concentração de material particulado. Todos os sensores do estado indicam níveis de 0 a 12 microgramas por metro cúbico, dentro dos limites satisfatórios para a saúde.
No entanto, as queimadas continuam sendo uma das principais preocupações durante o período de seca. O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, destacou a importância de um plano de contingência para conter o crescimento dos focos de incêndio, além das operações de abastecimento de água para áreas rurais afetadas pela diminuição da captação de água. A Defesa Civil está mobilizando órgãos e elaborando estratégias para minimizar os impactos das queimadas, que representam riscos para o patrimônio, vida humana e vida animal.
jurua24horas