Setembro foi o segundo mês com mais focos de calor na Amazônia Legal nos últimos 25 anos. A capital amazonense registrou uma temperatura recorde de 39,2ºC, e oito estados amazônicos estão enfrentando a seca mais severa dos últimos 40 anos. O nível da água no rio Amazonas está diminuindo cerca de 13 a 14 centímetros por dia, considerado abaixo da normalidade.
Cientistas da região alertam que a situação vai piorar. “A tendência é que vai se agravar, tanto no decorrer do atual evento como na frequência e intensidade de eventos desse tipo no futuro”, explica Philip Martin Fearnside, uma das maiores referências científicas da Amazônia.
O estado do Amazonas declarou “emergência ambiental” em 55 dos 62 municípios desde 30 de setembro. No Acre, o governo estadual declarou situação de emergência em 6 de outubro, devido à “diminuição abrupta” dos rios Acre, Purus, Juruá, Tarauacá, Envira, Iaco e Moa.
O aumento da temperatura e a redução na umidade dos solos amazônicos já estão afetando áreas destinadas à agricultura e à pecuária em 79 municípios. Fearnside alerta que as temperaturas estão mais altas do que durante o fenômeno El Niño de 2015-2016.
“A tendência é que vai se agravar, tanto no decorrer do atual evento como na frequência e intensidade de eventos desse tipo no futuro”, explica Fearnside. Ele também destaca que uma mancha quente no Atlântico Tropical Norte está causando seca na parte sul da Amazônia.