O prefeito em exercício de Cruzeiro do Sul, Henrique Afonso, decretou situação de emergência nesta terça-feira, 17, devido à praga da lagarta mandarová que já atinge o roçado de mandioca de mais de mil propriedades rurais do município. A publicação será feita no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quarta-feira, 18.
Afonso reuniu na sede da prefeitura representantes da EMBRAPA, UFAC, IFAC e do Governo do Estado para anunciar a medida e discutir ações estratégicas de apoio aos agricultores. “A situação é de emergência porque a lagarta afeta diretamente a produção da farinha de mandioca e a economia de Cruzeiro do Sul. Corremos o risco de perder 50% da produção da farinha, o que vai gerar perda de arrecadação, vai impactar nosso Produto Interno Bruto (PIB)”, enfatizou Afonso.
Grande parte dos agricultores de Cruzeiro do Sul pratica a monocultura, tendo a mandioca como único item agrícola produzido. A mandioca então vira farinha, biscoito e outros itens, que movimentam a economia do município.
Os agricultores relatam prejuízos e desespero. “Os prejuízos são muitos, desde a diminuição da quantidade da macaxeira, até a qualidade do produto. A gente praticamente tem perda aí na roça madura de 50%, 60%. Na roça nova, você tem, se for a roça pequena, perda de 100%. É perda total”, disse o agricultor Carlenilson Carneiro Leão.
Cerca de mil toneladas de farinha são produzidas por mês em Cruzeiro do Sul e o item já é vendido em várias partes do Brasil. O município é responsável por 42% da mandioca produzida no Acre. O faturamento bruto da Farinha de Mandioca foi de R$ 55 milhões no Vale do Juruá em 2022.
Afonso citou a necessidade urgente de os produtores terem acesso a orientação técnica e insumos para controlar a praga. “O prefeito Zequinha Lima e o senador Alan Rick vão ao Ministério da Agricultura porque precisamos de apoio e de um Plano de Ação para reverter essa situação que antes acontecia a cada 4 anos e agora é anual”, concluiu Afonso.