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Acre

Após ter 35% do corpo queimado, acreana reencontra autoestima tatuando as cicatrizes

Por Redação Juruá 24 horas 17/12/2023 09:00 Atualizado em 17/12/2023 09:00
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No dia 15 de maio de 2010, a jovem Bruna Amaral se reunia com a familiares e amigos, em casa, e acendia uma chapa de fritura com álcool em gel, quando o fogo entrou na garrafa inflamável e explodiu, causando queimaduras de primeiro, segundo e terceiro grau em 35% de seu corpo.

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“Na hora foi uma correria, o fogo subiu tanto que não consegui enxergar nada. Todo mundo ficou em choque, até que um primo colocou a mão no fogo e rasgou minha roupa. Eu gritava muito, olhei para o meu corpo, estava muito queimada, vi partes pretas, que era justamente tecido queimado, pele minha caindo, uma visão que eu jamais vou esquecer. Eu pedia pelo amor de Deus que a dor parasse”, conta Bruna.

Após uma cirurgia, Bruna passou um mês e meio internada no Pronto-Socorro de Rio Branco, fazendo fisioterapia e cuidando para não contrair infecções. Mas foi a volta para casa e para o cotidiano que deixou marcas emocionais. “A volta para a faculdade foi muito difícil, ainda me recuperava do acidente, estava usando faixas, virei o centro das atenções. Me marcou muito os olhares, fiquei mal, acoada, tive que ser forte”, afirmou Bruna.

Bruna conta que passou a optar por roupas que ocultassem as cicatrizes – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

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O fechamento das feridas trouxe a tona as cicatrizes. Queloides, que são marcas protuberantes ou rugosas que aparecem depois de um ferimento, começaram a se destacar, mexendo com o ego e vaidade de Bruna. “Me privei de muita coisa, arrumei artimanhas para escondê-las, deixei de ir a lugares”.

O sentimento de vergonha durou 13 anos, quando, em junho de 2023, numa rede social, Bruna Amaral viu uma mulher com queloides e cicatrizes semelhantes tatuando seu corpo, obtendo resultado positivo. “Fiquei com aquilo na cabeça, me programei financeiramente e estabeleci que até o fim de 2023 queria estar com a tatuagem finalizada. Encontrei o melhor tatuador, que me tranquilizou quando ao que deveríamos fazer e deixei tudo nas mãos dele”, diz Bruna.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Do outro lado da história, o tatuador Márcio Oliveira Wanderley, de 35 anos, abriu o estúdio que tem em casa e recebeu uma mulher bonita, mas que escondia sentimentos amargos. “Quando começou a contar a história dela, percebi a importância que aquele momento teria na vida dela. Ela me deu a liberdade para fazer parte disso, é uma responsabilidade muito grande. Senti que foi um rompimento de barreira”, disse o tatuador.

Em dois dias de trabalho, Bruna Amaral estava com o braço esquerdo fechado de tatuagem. Márcio, que agora faz parte da história de superação de Bruna, conta que o serviço feito foi o que mais lhe deu reafirmação de que a tatuagem é, sim, uma profissão artística que pode mudar vidas.

Márcio Oliveira faz tatuagens há 8 anos – Foto: Whidy Melo/ac24horas

“Eu sabia que meu trabalho era importante, mas a gente acaba esquecendo desse valor no dia a dia. Quando você vê uma pessoa, como a Bruna, realizada, tudo faz sentido. Meu trabalho é tão importante quanto o de um médico, advogado, ou outra profissão com maior aceitação social. Isso me trouxe uma autoafirmação profissional e pessoal, porque eu vi que posso exercer uma influência social, não é algo aleatório”, finaliza Márcio.

ac24horas

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