Desmatamento cai 77% na resex Chico Mendes e 73% nas áreas protegidas da Amazônia em 2023, aponta Imazon
A resex Chico Mendes, uma das áreas protegidas do Acre, registrou uma queda de 77% no desmatamento em 2023 na comparação com o ano anterior, segundo dados do instituto de pesquisa Imazon. Em 2022, foram derrubados 84 quilômetros quadrados na resex e, no ano seguinte, 24 km², número que ainda preocupa, já que a resex segue sofrendo a pressão do desflorestamento no entorno.
A resex Chico Mendes é uma unidade de conservação de uso sustentável que abrange os municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Capixaba, Epitaciolândia, Rio Branco, Sena Madureira, Senador Guiomard e Xapuri. Ela foi criada em 1990 em homenagem ao líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988 por defender a preservação da floresta e dos direitos dos trabalhadores rurais.
A situação da resex Chico Mendes reflete a tendência observada nas áreas protegidas da Amazônia, que tiveram em 2023 o menor desmatamento em nove anos, desde 2014. Conforme o monitoramento por imagens de satélite do Imazon, a devastação dentro de terras indígenas e unidades de conservação passou de 1.431 km² em 2022 para 386 km² em 2023, uma diminuição de 73%, quase quatro vezes menos.
Outras duas unidades de conservação do Acre, a Floresta Estadual do Rio Gregório e a resex Alto Juruá, também estão incluídas entre as dez que menos sofreram com o desflorestamento na Amazônia, segundo o Imazon. A Floresta Estadual do Rio Gregório teve uma redução de 97% no desmatamento, passando de 12 km² em 2022 para 0,3 km² em 2023. A resex Alto Juruá teve uma redução de 96%, passando de 7 km² em 2022 para 0,3 km² em 2023.
Os dados foram divulgados nessa terça-feira (23) pelo Imazon, que é um instituto de pesquisa sem fins lucrativos que realiza o monitoramento independente do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia. “Essa redução expressiva do desmatamento em áreas protegidas é muito positiva, pois são territórios que precisam ter prioridade nas ações de combate à derrubada. Isso porque, na maioria das vezes, a devastação dentro de terras indígenas e unidades de conservação significa invasões ilegais que levam a conflitos com os povos e comunidades tradicionais que residem nesses territórios”, explica o pesquisador Carlos Souza Jr., coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.
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