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Acre

Estudo revela que povos indígenas são os verdadeiros mestres da bioeconomia

Por Redação Juruá 24 horas 23/02/2024 15:13 Atualizado em 23/02/2024 15:13
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Um estudo lançado nesta semana em Brasília mostra que os povos indígenas do Brasil são os pioneiros e os principais protagonistas da bioeconomia, uma forma de produção que valoriza a biodiversidade e os saberes ancestrais. A pesquisa, intitulada “Bioeconomia indígena: saberes ancestrais e tecnologias sociais”, foi realizada por dois antropólogos indígenas, Braulina Baniwa e Francisco Apurinã, ou Yumuniry, em parceria com o instituto de pesquisa WRI Brasil, que faz parte do World Resources Institute.

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O estudo destaca que a bioeconomia, embora tenha ganhado visibilidade recentemente no Brasil, já era praticada há milhares de anos pelos povos originários do país, que desenvolveram uma rica diversidade de conhecimentos, práticas e produtos baseados na natureza. O objetivo da pesquisa é trazer a perspectiva indígena sobre o que significa economia e como ela se relaciona com os territórios, os ecossistemas, os seres e as culturas que compõem a Amazônia e outros biomas brasileiros.

Para isso, os autores contaram com a colaboração de lideranças indígenas da Amazônia, especialmente das mulheres do povo Baniwa, que compartilharam suas experiências, saberes e tecnologias sociais. “E tudo que é escrito nesse lugar, a partir das grafias, é nossa ciência”, afirmou Braulina, que é doutoranda em antropologia pela Universidade de Brasília (UnB).

Ela explicou que o desafio para a academia é reconhecer e valorizar os processos dos povos indígenas a partir do seu próprio entendimento. “Muitas pessoas fora da Amazônia falam da Amazônia. Mas nunca saberão o que de fato é ser da Amazônia. Nós também nos desafiamos a ocupar esses lugares para trazer as nossas realidades”, disse.

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Braulina ressaltou que os povos indígenas têm a sua própria economia, que precisa de valorização e reconhecimento, a partir do lugar ocupado por esses povos. “Precisamos superar a palavra povos indígenas participam e dizer povos indígenas também produzem e colaboram para construir uma economia a partir do entendimento deles. Acho que esse é o grande desafio. É uma alegria poder mostrar a tecnologia social, mostrar que as mulheres têm esse conhecimento e suas ciências, que precisam de valorização”, relatou.

Ciência milenar Braulina também afirmou que a bioeconomia é apenas um conceito dos não indígenas para falar dos conhecimentos indígenas. “Então, precisamos trazer nossos conceitos para esse lugar”. Ela disse que não se deve esquecer que as mulheres indígenas, por várias gerações, têm assegurado que são produtoras de uma ciência milenar, que precisa ser valorizada e fortalecida para que esse conhecimento não se perca.

O antropólogo Francisco Apurinã, ou Yumuniry, que é doutor em antropologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), enfatizou que não existe bioeconomia indígena dissociada dos territórios, que são constituídos por vários ecossistemas, protegidos por guardiões e seres que ali habitam.

“Não tem como falar sobre bioeconomia, educação, saúde, sem dissociar dos territórios. Para nós, o que existe é um diálogo entre todos os territórios e todos os seres, e os povos indígenas são mais um componente”, dissertou.

Sustentabilidade Braulina lembrou que é necessário que os pesquisadores indígenas tenham a oportunidade de defender não só a Amazônia, mas os povos de todos os territórios no Brasil, de todos os biomas, e que todos no país saibam que os pesquisadores e mulheres indígenas produzem ciência e fazem parte do processo de sustentabilidade.

Segundo Apurinã, as primeiras pessoas a perceber mudanças na região foram os indígenas, os povos originários, os seringueiros. Para ele, as mudanças climáticas e do meio ambiente são um problema planetário. “E a gente precisa encontrar o remédio para curar essa doença”. Se não existir mais floresta, não haverá mais vida, sinalizou.

“Os cientistas não indígenas devem aprender com os indígenas, apesar destes serem tão marginalizados historicamente no país. A ciência branca tem falhado nas soluções propostas e deve aproveitar o conhecimento dos povos indígenas de todos os biomas do Brasil”, disse o diretor do WRI Brasil, Rafael Barbieri.

A conclusão é que o conceito de bioeconomia tem sido debatido por diferentes setores da sociedade brasileira sem dar, entretanto, a devida importância e espaço para os povos originários, que são profundos conhecedores desse tema. Para os povos indígenas, o conceito de bioeconomia se confunde com o conceito indígena de economia. “Garantir o fortalecimento dos territórios indígenas é garantir a manutenção da biodiversidade e dos saberes ancestrais que sustentam a vida no planeta”, afirmaram os autores do estudo.

JURUA24HORAS

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