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Opirj realiza 9ª Assembleia Geral e discute projetos para as terras indígenas do Rio Juruá

Por Redação Juruá 24 horas 09/02/2024 08:29 Atualizado em 09/02/2024 08:29
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A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj) encerrou nesta quinta-feira (8) a sua 9ª Assembleia Geral Ordinária, que aconteceu no Centro Diocesano de Treinamento em Cruzeiro do Sul. O evento reuniu cerca de 200 representantes de 13 terras indígenas, que debateram questões estratégicas para a gestão territorial e ambiental, bem como os projetos que a Opirj vem desenvolvendo com recursos do Fundo Amazônia e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Fumbio).

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O cacique Railson Carneiro Náua, da terra indígena Nukini, destacou a importância do projeto de proteção territorial, que visa fortalecer a vigilância e o monitoramento das áreas de fronteira, onde há maior pressão de invasores e desmatadores. Ele disse que os povos indígenas têm muito a ganhar com esse apoio para cuidar do seu território e garantir um futuro melhor para as suas comunidades.
“Um projeto de proteção territorial é isso que os nauas já vem fazendo naquela região de fronteira. E assim, eu acho que agora a gente só tem muito a ganhar com esse apoio para cuidar o nosso território, fazer proteção para que tenha um futuro melhor para o nosso povo”, afirmou.
O cacique Fernando Kaxinawá, ressaltou a importância da união dos povos indígenas em torno da Opirj, que é a organização representativa dos povos do Rio Juruá. Ele disse que a Assembleia foi um momento de fortalecer o movimento indígena e de discutir os projetos que vão beneficiar todas as terras indígenas da região.

“Hoje, na Assembleia que estamos tratando hoje, estamos em uma pauta importante, que é o projeto da Opirj, que vai contemplar todas as terras indígenas, onde nós estamos chegando aqui o momento de fortalecer nosso movimento indígena como base da associação com a Opirj”, disse.
O coordenador geral da Opirj, Francisco Pyanko, informou que a organização acabou de assinar dois grandes projetos, um com o Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 30 milhões, e outro com o Fumbio, no valor de R$ 10 milhões. Ele disse que os projetos vão financiar ações de gestão territorial e ambiental, de fortalecimento cultural, de geração de renda e de reflorestamento nas terras indígenas.

“Nós acabamos de assinar, a Opirj acabou de assinar dois grandes projetos, um com o Fundo Amazônia, com o BNDES, então também vai se discutir nesse encontro a implementação desse programa, a estratégia de implementação desse projeto. E conseguimos também recursos com o Fumbio, que são recursos também relacionados a ações nesses territórios, e não dá para a gente fazer uma ação, mesmo a Opirj como uma organização indígena, sem dialogar com as lideranças, montar uma estratégia de parceria entre a organização e as comunidades, não dá para as comunidades ou a Opirj trabalhar de maneira isolada, então a gente quer que esse recurso chegue de maneira planejada. Organizada nesses territórios para que elas possam ter a resposta. A gente precisa fazer mudanças, não podemos só preencher planilha, por isso que a gente está fazendo o trabalho de criar compromisso mais profundo do que chegar à demanda nas terras indígenas”, explicou.

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Durante a Assembleia, também foram debatidas ações que visam promover a sustentabilidade das terras indígenas, contribuindo para a conservação da floresta amazônica e o bem-estar das comunidades indígenas. O cacique Paulo Nukini, da terra indígena Nukini, relatou que sua comunidade já vem plantando mais de 20 mil mudas em áreas degradadas, fazendo diferença nas mudanças climáticas. Ele disse que o projeto da Opirj vai fortalecer esse trabalho de reflorestamento e também de vigilância das terras indígenas, que sofrem com a pressão de invasores.

“Esse trabalho tem terras indígenas que já estão trabalhando individual, como a nossa. Hoje eu sou cacique da, nós já estamos em mais de 20 mil mudas que a gente planta em áreas degradadas, fazendo diferença nas mudanças climáticas. Então isso vem mais para fortalecer a Opirj esse projeto de mudanças climáticas e reflorestamento e também como vigilância de suas terras indígenas, como tem terras indígenas que ela é em torno de parque nacional, ela é em torno de assentamento do Incra, então essa parte também na parte de vigilância”, disse.

O líder indígena Biraci Junior Yawanawa, da terra indígena Yawanawa, destacou a conquista dos povos indígenas, que conseguiram mobilizar recursos para implementar seus próprios projetos, sem depender de intermediários. Ele disse que isso mostra o poder, a autonomia e o fortalecimento dos povos originários, que também buscam se integrar com a sociedade civil e somar esforços para o bem do espaço que vivem.

“Para a gente, assim, é uma conquista muito grande e mostrar não só para os povos indígenas, mas para a própria sociedade civil, que os povos originários também têm esse poder, essa autonomia e esse fortalecimento de juntar essas esferas, não só os povos indígenas, mas também enquanto não indígenas e somar isso dentro de um propósito maior, que é o bem do espaço que nós vivemos, da própria sociedade que está em torno dos nossos territórios”, disse.
A 9ª Assembleia Geral da Opirj contou com o apoio da Diocese de Cruzeiro do Sul, que cedeu o espaço para a realização do evento, e de parceiros como o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), o Instituto Socioambiental (ISA), a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) e o Fundo Vale.

jurua24horas

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