Início / Versão completa
Acre

Rio Jordão reduz mais de 1,5 metro e sai da cota de transbordo no interior do AC

Por Redação Juruá 24 horas 25/03/2024 06:12 Atualizado em 25/03/2024 06:12
Publicidade

Após voltar a transbordar menos de um mês depois da cheia histórica do Rio Tarauacá, que cobriu mais de 80% da zona urbana de Jordão, um dos municípios isolados no interior do Acre, o nível das águas reduziu na manhã deste domingo (24). Na medição das 8h, segundo a Defesa Civil do município, o rio marcou 6,10 metros e saiu da cota de transbordo, que é de 7,50 metros.

Publicidade

Com o transbordo do Rio Tarauacá, o município de Jordão viveu a maior enchente de sua história entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2024. Cerca de 80% da cidade foi coberta pelas águas, incluindo o único hospital da região e mais de 5 mil moradores foram afetados. A Prefeitura chegou a decretar estado de calamidade pública por causa da situação, inédita até então. O manancial chegou a marcar 9,55 metros, dois acima da cota de transbordo de 7,50 metros. No mesmo período, outras 18 cidades acreanas também chegaram a decretar situação de emergência por causa da cheia de rios e igarapés.

Apesar do início de vazante, 72 famílias ainda seguem nos abrigos montados em escolas do município, segundo a coordenadora Maria José Feitoza. Foram 650 pessoas afetadas pela subida e novo transbordamento do rio, de acordo com o órgão.

“Não choveu entre o sábado e domingo no município, e a previsão para a semana é que continue baixando. Algumas famílias já começaram a voltar para suas casas, mas permanecem as dos abrigos’, explicou a coordenadora.

Publicidade

A dona de casa Vilanir Souza foi uma das moradoras que retornaram para casa neste domingo. Ela avalia que, apesar do curto intervalo de tempo entre uma enchente e outra, a segunda teve impacto menor. Ela relembra que perdeu alguns móveis e outros conseguiu salvar, e agora, mais uma vez, vai precisar limpar a casa atingida pela cheia do rio.

“Tem menos de um mês que a gente passou pela alagação, e agora a gente voltou. Um mês, na verdade, que tinha acontecido a alagação, aconteceu outra. O nível foi maior, e essa não foi tão alta, graças a Deus. A gente teve que tirar algumas coisas, outras atrepar [sic]. E agora, é só cuidar da limpeza e seguir em frente”, conta.

Indígenas que ficaram abrigados em um centro cultural no município também começaram a voltar para casa neste domingo. Lair Kaxinawá, que mora no Centro de Jordão, conta que ficou junto com a família no abrigo e comemora a descida do nível do rio.

“Eu moro no Centro, que o rio atingiu também. Vim para o centro de cultura, mas daqui a pouco a gente vai voltar ´[para casa], porque o rio já está começando a vazar. Vim mais minha prima, minhas cunhadas, e estamos aqui, mas daqui a pouco nós vamos organizando”, relata.

O problema começou na madrugada deste sábado (23), segundo a Defesa Civil Municipal, e, inicialmente, deixou 16 famílias desabrigadas, aquelas enviadas a um abrigo público, e 21 famílias desalojadas, ou seja deslocadas para a casa de parentes ou amigos. São 154 pessoas afetadas até o começo da tarde de sábado.

“Estamos tirando as pessoas e orientando juntamente com as equipes municipais e polícias Civil e Militar”, explica a coordenadora municipal de Proteção e Defesa Civil, .

Ainda segundo ela, a cheia agora envolve os rios Tarauacá e Jordão, que banham o município, e começaram subir por volta de 3h da manhã deste sábado. Na medição das 9h, o manancial marcou 7,65 metros, 11 centímetros acima da cota de transbordo.

Enchentes históricas

E a Defesa Civil alerta que a previsão é de mais chuvas nas próximas horas na cabeceira do Rio Jordão. O que deve aumentar ainda mais o nível do manancial.

O Acre enfrentou cheias históricas em 2024. Em todo o estado, pelo menos 23.087 pessoas ficaram fora de casa, entre desabrigados e desalojados, segundo o governo do estado.

Além disso, 19 das 22 cidades acreanas declararam situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Quatro pessoas morreram em decorrência da cheia. Ao menos sete cidades enfrentaram problemas por causa da cheia do Rio Acre, incluindo Rio Branco, que teve a segunda maior enchente de sua história, e Brasiléia que alcançou uma nova maior marca histórica.

O Rio Juruá também causou transtornos em Cruzeiros do SulPorto Walter, em Marechal Thaumaturgo, onde ameaçou mais de 20 comunidades indígenas. Mais de 100 pessoas foram afetadas em todo o estado em um dos períodos de chuva mais intenso dos últimos anos.

Por G1

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.