Aumento da violência em conflitos agrários na Amazônia é destacado em relatório
O relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2023’, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), ressalta o aumento da violência na região da fronteira entre os estados do Acre, Amazonas e Rondônia. Esta área, conhecida como Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunã-Madeira (Amacro), tornou-se um epicentro de grilagem para exploração madeireira e criação de gado, com altas taxas de desmatamento, queimadas e conflitos.
A Amacro, que abrange 32 municípios, registrou 8 dos 31 assassinatos registrados em conflitos no campo em 2023, igualando a quantidade dos últimos dois anos. Dentre as 9 vítimas da categoria “Sem Terra”, 5 delas são dessa região.
As principais vítimas da violência causada por conflitos agrários são pequenos proprietários (26,4%); indígenas (24,7%); trabalhadoras e trabalhadores sem-terra (18%); posseiros (14%); e seringueiros (5%). Mais da metade dos responsáveis pela violência são fazendeiros (54,4%), seguidos de grileiros, garimpeiros e empresários.
A Amazônia Legal concentrou quase metade de todos os conflitos no campo registrados em 2023 no Brasil pela CPT. Dos 2.203 episódios contabilizados no ano passado, 1.034 ocorreram na região amazônica, que compreende nove estados brasileiros.
Em 2023, o Pará liderou a contagem por estado com 226 conflitos. As Terras Indígenas (TIs) Munduruku e Kayapó foram as mais impactadas. Maranhão (206) e Rondônia (186) vêm em seguida. A região Norte foi a que mais teve conflitos no campo em 2023, com 810 ocorrências.
A Região Norte registrou 22 ações de ocupações e retomadas em 2023, com 2.316 famílias participantes. Os acampamentos somaram 12 ocorrências envolvendo 1.412 famílias.
A violência individual afetou 1.108 pessoas na Amazônia Legal, o equivalente a 75,5% do total de vítimas registradas pela CPT em 2023. As principais vítimas são pequenos proprietários e indígenas, seguidos por sem terra, e os principais causadores são fazendeiros, grileiros, garimpeiros e empresários.
Os conflitos por água na Amazônia diminuíram de 131 para 95 ocorrências entre 2022 e 2023, mas ainda estão acima da média dos últimos 10 anos. Os principais tipos de conflitos são destruição/poluição e não cumprimento de procedimentos legais.
JURUA24HORAS