A República do Acre: Uma história curiosa de independência e conflito
Há 125 anos, em 14 de julho de 1899, um espanhol chamado Luis Gálvez Rodríguez de Arias proclamou a República do Acre em um território boliviano majoritariamente ocupado por seringueiros brasileiros. Este ato, surpreendentemente, não tinha o apoio do governo brasileiro, mas contava com o suporte clandestino do governador do Amazonas, Ramalho Júnior.
O episódio iniciou uma série de eventos peculiares. Gálvez, que servira como cônsul boliviano em Belém, liderou uma expedição até Puerto Alonso (rebatizada como Porto Acre) e declarou a independência do território. Ele pretendia criar um governo moderno, com ministérios, escolas e até um exército, mas enfrentou resistência boliviana.
A recém-proclamada república não foi reconhecida internacionalmente e enfrentou diversos desafios. Em pouco tempo, foi dissolvida por uma intervenção militar brasileira, devido ao Tratado de Ayacucho de 1867, que reconhecia a região como parte da Bolívia.
A história não terminou aí. Em 1900, outra tentativa de independência ocorreu, conhecida como a Expedição dos Poetas, liderada pelo jornalista Orlando Correa Lopes. Esta segunda república também não teve sucesso, sendo rapidamente suprimida por forças bolivianas.
O conflito culminou na Revolução Acreana, liderada pelo gaúcho Plácido de Castro em 1902, que resultou na Terceira República do Acre. Esta última república teve apoio do governo brasileiro e levou à assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903, que incorporou o Acre ao Brasil em troca de compensações financeiras à Bolívia e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré.
Essa sequência de eventos, com múltiplas proclamações e governantes, culminou na integração definitiva do Acre ao Brasil, transformando um breve e tumultuado experimento de independência em parte da história nacional brasileira.
jurua24horas