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Acre

Bactérias em Árvores da Amazônia podem mitigar emissões de metano, indica estudo

Por Redação Juruá 24 horas 28/07/2024 21:24 Atualizado em 28/07/2024 21:24
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Um estudo publicado na revista Nature em 24 de julho de 2024 revela que bactérias presentes nas cascas das árvores da Amazônia podem desempenhar um papel crucial na absorção do metano (CH4), um dos gases de efeito estufa mais significativos. Esta descoberta é fundamental, uma vez que medições anteriores sugeriam que a floresta amazônica poderia estar contribuindo para o aquecimento global, em vez de mitigá-lo.

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Desde 2013, um grupo internacional de pesquisadores liderado pelo biólogo brasileiro Alex Enrich Prast, atualmente na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em colaboração com o biólogo britânico Vincent Gauci, da Universidade de Birmingham, tem coletado dados na Amazônia. Utilizando técnicas variadas, como baldinhos e monitoramento aéreo, o grupo conseguiu medir os fluxos de metano na floresta.

Os estudos revelaram que o metano formado no solo alagado é processado por bactérias nas raízes das árvores, que então liberam o gás na atmosfera. Contudo, novos dados indicam que em condições não alagadas, essas árvores podem absorver metano, especialmente nas florestas de terra firme.

Importância da Descoberta

Prender aparatos às árvores, que funcionam como câmaras detectoras de gases, mostrou que os troncos das árvores absorvem CH4, especialmente na parte mais alta do tronco. Essa microbiota do tronco, classificada como metanotrófica, consome metano, sugerindo que as árvores podem funcionar como sumidouros de metano. Este fenômeno também ocorre nas várzeas, mas de forma menos visível durante a estação alagada.

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A pesquisa envolveu a extração de DNA das amostras de madeira para identificar as bactérias que oxidam metano, revelando diferenças na microbiota de cascas lisas e rugosas. As medições realizadas na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã, em Rondônia, indicam que a absorção de carbono pela superfície dos troncos em florestas maduras equivale a 15% da absorção média de carbono pela biomassa vegetal da Amazônia.

Comparações e Impactos Globais

Análises semelhantes foram feitas em outras florestas, como a floresta Gigante no Panamá, a floresta temperada de Wytham no Reino Unido e a floresta hemiboreal de coníferas na Suécia. Os resultados mostraram que os troncos das árvores em climas mais quentes, como na Amazônia, absorvem mais metano do que em regiões mais frias.

O agrônomo Jean Ometto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), considera a descoberta uma boa notícia para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Ele destaca a relevância de reduzir as concentrações de metano antrópico na atmosfera para atingir as metas do Acordo de Paris.

Este estudo destaca a importância do reflorestamento e da conservação das florestas tropicais, sugerindo que mesmo florestas imaturas podem contribuir significativamente para a mitigação das emissões de metano. A descoberta ressalta a complexidade dos ecossistemas florestais e a necessidade de mais pesquisas para entender completamente os fluxos de gases na Amazônia.

Prast e colaboradores continuam a monitorar diferentes regiões da Amazônia para obter uma visão mais abrangente do papel das florestas tropicais na dinâmica dos gases de efeito estufa, enfatizando a importância de colaborações internacionais e esforços contínuos de pesquisa.

Juruá24horas com informações, um só planeta

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