Início / Versão completa
Acre

Dragagem dos rios Madeira e Amazonas permitirá o transporte fluvial na região durante todo o ano

Por Redação Juruá 24 horas 15/07/2024 15:50 Atualizado em 15/07/2024 15:50
Publicidade

Por Osíris M. Araújo da Silva

Publicidade

O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT) promoveu, na última sexta-feira, 5, a abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas em executar as obras de dragagem dos rios Madeira e Amazonas. Segundo fontes oficiais, foi vencedora a empreiteira DTA Engenharia Portuária e Ambiental, de S. Paulo. De acordo com o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPOR), serão investidos R$ 505 milhões nos rios Madeira (Manaus-Itacoatiara), Solimões (Codajás, Coari, Benjamin Constant e Tabatinga). No Madeira, serão aplicados R$ 118,9 milhões nos trechos críticos entre o passo do Tabocal e a foz do rio. Já no rio Amazonas, a previsão é de gastar R$ 129,1 milhões no paraná do Abacate e nas ilhas do Juçara e do Tracari. As dragagens entre Tabatinga e Benjamin Constant serão feitas nos canais superior e inferior, envolvendo recursos da ordem de R$ 139,8 milhões.

Segundo o DNIT, as ações incluem inspeções técnicas e serviços de batimetria para mapear e monitorar as profundidades aquáticas, contribuindo para a adoção de medidas preventivas e a redução dos impactos ambientais na região amazônica. A hidrovia do Rio Madeira, importante eixo logístico do Norte, continua desempenhando papel crucial no transporte de mercadorias.

Como a rodovia BR-319 ainda não apresenta condições plenas de uso, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) anunciou aumento do volume de cargas no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2023. Os trechos são essenciais para o transporte de insumos destinados às empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e produtos em geral para o abastecimento do comércio amazonense. O rio Madeira, convém salientar, permite o escoamento da produção de soja e de produtos agropecuários do Sul do Amazonas e de Roraima para o resto do Brasil.

Publicidade

O desassoreamento dos trechos deverão minimizar impactos de futuras estiagens padrão 2023, prevista para repetir-se este ano. Estudos do MPOR constatam que, no cenário atual, parte significativa do transporte da produção agropecuária da região é feita pelo chamado Arco Norte, que abrange os estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Tocantins. É fundamental, por conseguinte, que, por meio de processos permanentes de dragagem, proceda-se à manutenção integral dos canais de navegação dos rios Madeira, Tapajós e Amazonas. Em semelhante grau de importância, que se conclua as obras de recuperação da rodovia BR-319 abrindo espaço para a plena interconexão dos modais.

Ao mesmo tempo, o governador Wilson Lima vem atuando para fortalecer laços de cooperação com organismos federais visando alinhar políticas públicas estaduais com a União. Desse esforço resultaram ações do governo federal via DNIT para dar curso ao edital para contratação dos serviços de dragagem dos trechos dos rios Amazonas e Solimões tendo em vista assegurar plena capacidade de navegação dos rios, essencial, na Amazônia, ao transporte de pessoas e escoamento de mercadorias. O governo do Amazonas igualmente confere prioridade ao estabelecimento de cooperação com “portos privados” que operam no Estado antecipando ações preventivas ante efeitos danosos de futuras estiagens que possam vir a ocorrer.

Na terça-feira, 2/07, o vice-governador Tadeu de Souza promoveu reunião com dirigentes do Super Terminais, visando o alinhamento de ações voltadas à mitigação do fenômeno, que este ano deverá superar a estiagem de 2023, a mais severa dos últimos 100 anos, que causou prejuízos à indústria superiores a R$ 1 bilhão de reais. Para Souza, “o Governo do Amazonas vem se preparando preventivamente para enfrentar efeitos de nova seca a se repetir este ano como se a de 2023 “ainda não tivesse terminado. Essa cooperação é primordial como demonstração de alinhamento do Estado com o ambiente privado, com os atores que acreditam e investem no Amazonas a longo prazo”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista …

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.