A Vigilância Sanitária Estadual esclareceu que o açaí não deve ser tratado como vilão nos recentes casos de Doença de Chagas registrados em Cruzeiro do Sul. Advagner Prado, chefe do Núcleo de Fiscalização e Serviço de Saúde da Vigilância Sanitária, está na cidade para abordar o assunto e reforçar a importância das boas práticas na fabricação do vinho de açaí.
Prado enfatizou que, com as medidas de higiene corretas, a possibilidade de contaminação pode ser reduzida a zero. Ele detalhou o processo de higienização do fruto em cinco fases:
- Lavagem Inicial: O açaí deve ser lavado com água tratada assim que chega do campo. Relatos indicam que algumas pessoas utilizavam água do rio, o que não foi comprovado, mas a recomendação é usar sempre água tratada.
- Imersão em Hipoclorito: Os caroços devem ser imersos em uma solução com 2 a 5 gotas de hipoclorito por 20 a 30 minutos.
- Nova Lavagem: Após a imersão, é necessário fazer outra lavagem para remover o hipoclorito.
- Branqueamento: O fruto deve ser imerso em água fervente por até 10 segundos. É importante não deixá-lo de molho, apenas imergir e retirar rapidamente.
- Limpeza Final: O fruto deve ser lavado novamente com água tratada e limpa. Além disso, os equipamentos utilizados no processamento também devem ser higienizados com o mesmo rigor para evitar a presença de resíduos ou colônias de bactérias.
Prado destacou que esses procedimentos não se aplicam apenas ao açaí, mas a qualquer alimento, especialmente durante o verão amazônico, quando as temperaturas elevadas podem aumentar a incidência de problemas diarreicos e doenças respiratórias.
“Fazendo todo esse processo de higienização do fruto, minimiza-se o risco de contaminação. A segurança no produto é garantida, desde que todas as medidas de cuidados sejam seguidas”, afirmou Prado. Ele também mencionou que o branqueamento, desenvolvido e comprovado cientificamente no Pará, não altera as características organolépticas do fruto, mantendo seu gosto, sabor e cor.
A Vigilância Sanitária está distribuindo panfletos informativos à população e agentes comunitários de saúde, que estão orientando a comunidade sobre as práticas corretas de higienização.
Dessa forma, o consumo de açaí pode ser seguro e continuar sendo uma parte importante da dieta regional, desde que sejam adotadas as medidas adequadas de higiene.
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