Início / Versão completa
Acre

Granja acreana quer abastecer Sul do Peru

Por Redação Juruá 24 horas 16/02/2025 07:47 Atualizado em 16/02/2025 07:47
Publicidade

A Granja Carijó quer exportar ovos de galinha para o Peru. Há dois anos, iniciou um processo de expansão aumentando a capacidade da fábrica de ração, o entreposto de ovos e melhorou o sistema de distribuição. A execução do planejamento segue o cronograma, administrando fatores que misturam elementos técnicos e políticos.

Publicidade

O empresário Diogo Luiz Valente de Figueiredo, 38, aguarda uma missão do governo peruano para que a unidade da Carijó, localizada no Km 52 da BR-317, em Senador Guiomard, receba a liberação para exportar. A Carijó é sifada pelo Mapa. Mas o protocolo exige que o país que vende o produto o faça dentro das normas sanitárias do país importador.

O roteiro que o empresário acreano aguarda é o seguinte: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília, precisa “responder” ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e Irrigação, em Lima: dúvidas técnicas, relacionadas, sobretudo, às questões sanitárias. A “conversa” entre os dois ministérios acontecendo, o passo seguinte é a auditoria no local onde é elaborado o produto.

Audiência do senador Sérgio Petecão (PSD/AC) com o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, serviu para pedir agilidade no diálogo com as autoridades peruanas e estruturar fiscalização aduaneira em Assis Brasil). Crédito: Assessoria Parlamentar.

O senador Sérgio Petecão (PSD/AC), que é o presidente do bloco parlamentar Brasil/Peru, tornou pública a agenda com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Na pauta do parlamentar, um pedido: agilidade no diálogo com as autoridades peruanas e a renovação de uma velha promessa nunca cumprida pelo Governo Federal. “O ministro sabe do problema da falta de estrutura de fiscalização aduaneira na nossa tríplice fronteira. É o gargalo”, afirmou o senador.

Publicidade

De acordo com o parlamentar, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve alocar para o Acre seis servidores do recente concurso realizado pelo Governo Federal, com possibilidade de ter acréscimo, caso haja demanda.

Direção inicia operações ainda em 2025

“Nós queremos iniciar a comercialização com o Peru ainda em 2025”, antecipa o empresário Diogo Luiz (como gosta de ser chamado), da Granja Carijó. Querer estar no mercado andino exigiu que a unidade da Vila Pia fosse ampliada em 25%. A estimativa inicial é que o volume exportado para o Peru alcance 8% do que é produzido diariamente. É uma estimativa.

Lima, com população contabilizada entre 9 e 10 milhões de habitantes, é um mercado que está muito longe do horizonte do empresário acreano. “Lima não tem vantagem competitiva para nós”, avalia o empresário. Ele quer consolidar a marca em regiões estratégicas. E, nesse aspecto, nada melhor que o Sul do Peru. Arequipa, Juliaca e Cuzco têm, aproximadamente, 1,9 milhão de habitantes.

O empresário Diogo Luiz já responde a algumas críticas relacionadas ao abastecimento do mercado acreano. “Sobre as críticas de que o fato de não dominarmos cem por cento o mercado acreano isso nos desabilita a exportar, onde está escrito isso?”, ironiza. “É uma loucura, é um delírio querer dominar cem por cento do mercado”.

O que o empresário está de olho, diariamente, é para o câmbio. Com a moeda peruana (soles) mais valorizada que o real (S/. 1 = R$ 0,65) a taxa de câmbio continua atrativa para a exportação. Os 138 funcionários da unidade da Vila Pia agradecem.

Unidade da Vila Pia emprega diretamente 138 funcionários e aguarda auditoria de instituições da vigilância sanitária peruanas para poder exportar) Crédito: Rio Branco Filmes

Rondônia é estratégica para a Carijó

Aproximadamente, 20% do que a Granja Carijó produz são comercializados em Vista Alegre do Abunã, Guajará Mirim e Porto Velho. São vendidos cerca de 400 mil ovos por dia da empresa acreana em Rondônia.

E Diogo Luiz tem uma explicação. “A carne acreana é uma das mais baratas do país. É fato. Então, para o rondoniense, comer carne não é tão barato quanto aqui. É aí que o ovo passa a fazer parte da dieta com mais regularidade por lá”, relaciona o empresário.

48 TON por dia_ A fábrica de ração da Granja Carijó produz 48 toneladas diárias. E isso exigiu uma mudança na rede de produtores de insumos para a fábrica poder funcionar. “Produtores de milho amadores, com área de dez ou vinte hectares pararam”, relata o empresário. “A produção exige escala e previsibilidade”. Empresas como Carijó, Nutrak, Dom Porquito e Acre Alves, praticamente, consomem todo milho produzido no Acre.

Fábrica de ração tem capacidade de produzir 48 toneladas por dia) Crédito: Rio Branco Filmes

Localizada à margem da BR-317, a Granja Carijó entrou em operação há cerca de 15 anos e mudou a geografia da região da Vila Pia. Somada a outras empresas que utilizam o milho como insumo, a produção acabou sendo pressionada por demanda. Nesse caso, é um cenário em que tudo precisa funcionar como uma orquestra. Qualquer gargalo compromete toda cadeia. E quando o mercado peruano, de fato, passar a integrar a agenda da direção, a pressão será ainda maior. Regularidade, qualidade, escala de produção e mercado: esse é o quarteto mágico de quem decide encarar o comércio internacional. A Granja Carijó, que já planeja estar com unidades de logística estratégica no Peru, só aguarda a chegada dos auditores peruanos. “Estamos prontos”, assegura Diogo Luiz.

Cerca de 400 a 450 mil ovos podem ser exportados para o Peru por semana: três carretas semanais) Crédito: Jardy Lopes

PerBra Holding: os cálculos por trás do movimento acreano rumo aos Andes

Por trás das estratégias da Granja Carijó e de outras empresas da região Norte rumo ao Peru, existe um trabalho de articulação empresarial e política arquitetado pela PerBra. O diretor comercial de Logística e Comércio Exterior da holding, Alejandro Salinas, está há mais de 20 anos radicado no Brasil. Tempo suficiente para diagnosticar os gargalos e as potencialidades comerciais dos dois lados da fronteira.

No radar da PerBra, o Acre é parte de um processo maior. O foco são as empresas do Norte do Brasil. “O Norte em si como fornecedor e também como comprador”, aponta Salinas. Mantendo discrição em relação à marca, o representante da PerBra lembra que há uma marca de guaraná de Manaus que já está em adiantado processo de inserção no mercado peruano.

O exemplo em que Salinas mais mantém entusiasmo é quando fala da acreana Nutrak. A ração já está no Peru há mais de um ano e entrou na agenda do governo peruano na política de fortalecimento da cadeia do pescado. Nos cálculo de Salinas, a ração acreana conseguiu conversão mais atrativa que outras rações já testadas.

Uma conta rápida para exemplificar. “Em um ano, usando outras rações, o Peru conseguiu engorda de um quilo de pirapitinga. Com a Nutrak, em 11 meses, conseguiu-se três quilos”. Além da Nutrak e da Carijó, outra indústria acreana que já mira o mercado peruano é o Café Contri, inclusive com a comercialização de café em cápsulas. Contri também prioriza a região Sul do Peru.

Missão peruana avalia importação de truta

Nos dias 24 e 25 de fevereiro, uma missão peruana formada pelo diretor nacional de Normativa Sanitária do Peru e pelo diretor da região Sul Cite Aquícola chega ao Acre. A Cite Aquícola é uma agência ligada ao governo central peruano.

Um ponto da agenda chama atenção: a possibilidade de importação de truta peruana por parte de um empresário da Capital. Truta é um peixe com consistência e sabor muito parecido com o salmão, de fácil aceitação no mercado consumidor de todo Brasil.

“Ainda não é possível adiantar quem será o empresário. Mas, caso a missão avalie que ele tem condições de receber o produto, a estimativa é comercializar vinte toneladas de salmão por semana”, afirma Alejandro Salinas, da PerBra Holding.

O quilo do salmão praticado no Acre é inviável na mesa do acreano de renda média, com um preço que facilmente ultrapassa os R$ 90 a R$ 100 o quilo. Há explicação. Produzido no Lago Titicaca, a truta do Peru percorre um caminho longo até chegar às gôndolas dos supermercados da Capital acreana. “Praticamente, oitenta por cento das trutas produzidas no Peru são contrabandeadas para o Chile. De lá, segue para São Paulo e de São Paulo vem para cá. Agora, nós podemos encurtar o caminho e, com isso, baixar os custos”, afirma o diretor da holding.

Por Itaan Arruda do ac24horas

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.