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Acre

Presidente do ICMBio denuncia fake news sobre operação em Resex: ‘Para confundir a população’

Por Redação Juruá 24 horas 20/06/2025 16:03 Atualizado em 20/06/2025 16:04
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Foto:Valter Campanato/Agência Brasil

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A Operação Suçuarana, em andamento na Reserva Extrativista Chico Mendes, no município de Xapuri, tem sido alvo de desinformação e ataques com base em notícias falsas, segundo o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Oliveira Pires. A ação tem como foco o combate à pecuária ilegal dentro da unidade de conservação federal, criada há 35 anos para garantir o sustento de cerca de 3 mil famílias extrativistas.

De acordo com o presidente, há tentativas de associar a operação a fatos que não ocorreram no Acre. “Está circulando muita notícia falsa, muita coisa esquisita, associando essa operação do Instituto Chico Mendes a fatos que sequer aconteceram aqui. Estão trazendo situações ocorridas no Amazonas, por exemplo, para confundir a população do Acre”, disse.

Pires explicou que o ICMBio foi impedido de realizar fiscalizações na área por vários anos, o que facilitou o avanço das ocupações ilegais. Segundo ele, terras públicas federais foram vendidas de forma irregular. “Muita gente começou a vender terrenos ilegalmente. Muitas pessoas compraram acreditando estar fazendo um bom negócio, mas não estavam. Quem vendeu não podia vender, e quem comprou fez um péssimo negócio”, afirmou.

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As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Gazeta Entrevista, exibido nesta sexta-feira (20). O presidente destacou que o objetivo da reserva é garantir a preservação da floresta e a subsistência das famílias tradicionais, que desenvolvem atividades como a extração da castanha e a coleta de látex. Contudo, a instalação de fazendas com centenas de cabeças de gado tem causado impactos ambientais e sociais.

“Encontramos áreas com até 300 cabeças de gado. Isso não pode acontecer numa reserva extrativista, que existe justamente para manter a floresta em pé”, disse. “Essa operação atende a determinações da Justiça, do Ministério Público Federal e ao compromisso que temos com a sociedade.”

Segundo Pires, a ação está priorizando casos reincidentes e mais graves, com histórico de desmatamento desde 2011. “Mesmo depois de várias notificações e multas, os responsáveis continuaram desmatando. Estamos retirando o gado dessas áreas como última alternativa.”

Ele informou que 91% da reserva ainda estão preservados, graças ao trabalho das comunidades extrativistas. No entanto, as invasões e a pecuária extensiva colocam esse esforço em risco, além de gerar conflitos e ameaças contra moradores. “Famílias foram ameaçadas, lideranças foram perseguidas. Precisamos garantir o direito dessas famílias de viverem com dignidade na floresta, como sempre foi”, afirmou.

O presidente também denunciou ações ilegais de obstrução às fiscalizações. “Obstruir fiscalização é crime federal. Já tivemos episódios em que entraram em frigorífico de madrugada, arrombaram cadeado, quebraram muro para soltar gado apreendido.” A operação conta com o apoio da Força Nacional, Exército e Polícia Rodoviária Federal.

Além da repressão a crimes ambientais, o ICMBio tem promovido ações de educação ambiental e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis. “O Acre é um grande produtor de castanha, que gera renda e mantém a floresta em pé. A pecuária extensiva é incompatível com a proposta dessa reserva”, disse.

Mauro Pires também ressaltou que a preservação ambiental beneficia diretamente a população. “Se não fosse pela Reserva Extrativista, as dificuldades e as cheias que assolam todos os anos o Estado do Acre seriam infinitamente mais graves. A floresta ajuda a garantir o clima, a qualidade da água e até mesmo a produtividade agrícola.”

O presidente concluiu dizendo que a maioria das famílias da reserva atua de forma legal e deve ser valorizada. “Quem está lá dentro, 95% a 98%, são trabalhadores honestos, cuidando do seu bem-estar e preservando a floresta. Vamos continuar agindo contra quem insiste em descumprir a lei, porque é nosso dever defender a Amazônia e quem vive dela de forma correta.”

Por Contilnet 

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