Início / Versão completa
Acre

Aluno indígena do Ceja é aprovado em Engenharia Civil na Ufac

Por Redação Juruá 24 horas 27/07/2025 10:23 Atualizado em 27/07/2025 10:23
Publicidade

A trajetória de Nixiwaka Brasil Yawanawa, 21 anos, conhecido como Nick, é exemplo de superação, dedicação e valorização da cultura indígena. Ex-aluno do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), em Rio Branco, o jovem foi aprovado no curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do processo seletivo específico para estudantes indígenas, para o 2º semestre do ano letivo de 2025. Sua jornada é marcada pela persistência e pelo desejo de transformação por meio da educação.

Publicidade

Nick é do povo Yawanawa e cursou o ensino fundamental na Escola Estadual Indígena Nixiwaka, em Tarauacá. Ao chegar à capital para concluir os estudos, encontrou no Ceja um espaço acolhedor para seguir em busca de seus sonhos. Mesmo sendo uma pessoa reservada, destacou-se pelo comprometimento com os estudos e pelo respeito com colegas e professores. Contribuiu ativamente nas atividades escolares, trazendo para as discussões em sala de aula temas relacionados à cultura e aos saberes tradicionais de seu povo.

“Receber a notícia da aprovação foi muito bom. Era uma faculdade que eu já pretendia cursar. Fiz o seletivo específico para indígenas e passei. Foram muitos concorrentes, então, essa conquista foi maravilhosa para mim”, relata.

A escolha por Engenharia Civil, segundo Nick, veio do interesse pessoal e da influência familiar.“Sempre gostei dessa área da construção. Tenho tios que não são engenheiros, mas trabalham na área. Então, sempre tive essa proximidade”, conta.

Publicidade

A maior dificuldade enfrentada por ele foi a transição da aldeia para a cidade. “Foi um impacto forte. Tive que me adaptar aos costumes urbanos, à cultura diferente. Mas estudar no Ceja foi muito bom. Fiz amigos que levo até hoje. A educação transformou minha vida e pode transformar a de muitos outros jovens”.

Foto: Mardilson Gomes/SEE

Mesmo em um novo ambiente, o estudante fez questão de levar a cultura Yawanawa para a sala de aula: “Manter minha cultura em um ambiente urbano e escolar é muito importante. Eu venho de uma luta, de uma resistência ancestral. Representar meu povo na universidade é mostrar que indígenas também pertencem a esses espaços. Universidade também é território indígena”.

Entre os valores que leva à universidade, Nick destaca o respeito: “Fui criado com essa base de respeitar o outro. E quando se dá respeito, também se é respeitado. Isso levo comigo”.

O jovem conta que já sofreu bullying e preconceito, mas sempre buscou lidar com essas situações de forma pacífica: “Nunca quis saber de violência. As pessoas carregam isso com elas, e ninguém pode mudar. Quando você discute com uma pessoa assim, acaba se tornando pior do que ela. Então, sempre procuro levar para o lado bom, descarto o preconceito e o bullying, porque isso não agrega nada na minha vida”.

A mensagem que ele deixa a outros jovens indígenas é clara: “Persistam. Nunca desistam. A universidade também é um lugar para nós”.

A gestora do Ceja, Ana Lúcia de Luca Bertoncini, acompanhou de perto a trajetória de Nick e relembra momentos marcantes:

“Ele era um aluno tranquilo, observador e muito focado nos estudos. Participava atentamente das atividades e interagia com todos. Em uma aula de Biologia, sobre o estudo dos seres vivos e a biodiversidade no planeta, fez relatos riquíssimos sobre a relação entre homem e natureza a partir da vivência do seu povo”, conta.

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.