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Acre

Redescobrindo talentos: quando as Altas Habilidades sempre estiveram ali, mas ninguém percebeu

Por Redação Juruá 24 horas 10/08/2025 13:32 Atualizado em 10/08/2025 14:11
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No Dia Internacional da Superdotação, histórias como as de Francisco Gilson Alves de Oliveira, o “Chiquinho”, e de Isaac Braga ganham destaque em Cruzeiro do Sul e na região do Juruá. Ambos carregam, desde a infância, talentos extraordinários que só recentemente foram reconhecidos como Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).

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Segundo o modelo mais adotado no mundo, proposto pelo pesquisador Joseph Renzulli, pessoas com Altas Habilidades reúnem três características essenciais, conhecidas como os Três Anéis de Renzulli:

Chiquinho: arte que venceu desafios

Mesmo tendo estudado até a 4ª série e enfrentado dificuldades para ler e escrever, Chiquinho sempre teve um olhar diferenciado para as artes. Desde criança, rabiscava, pintava e criava, passando por várias técnicas: pintura em roupas, letreiros, tatuagens, murais e painéis.

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Na escola, era visto como “distraído” por estar sempre desenhando. Hoje entende que aquilo era, na verdade, expressão de criatividade e envolvimento com a tarefa, dois dos três anéis de Renzulli.

“Se eu tivesse recebido esse reconhecimento antes, talvez tivesse estudado mais técnicas e valorizado mais a minha arte. Mas fico feliz em saber agora que sou uma pessoa com Altas Habilidades e posso ajudar outras pessoas a se reconhecerem também”, diz Chiquinho.

Atualmente, o pintor deixa sua marca em muros e fachadas de Cruzeiro do Sul e segue atendendo uma clientela fiel, mantendo viva sua paixão pela arte.

Isaac Braga: do mangá ao hiper-realismo

A trajetória de Isaac Braga também revela um talento escondido por anos. Desde a escola, ele passava as aulas desenhando, transformando até o verso das provas em espaço para sua criatividade. Começou com personagens de mangá e animes como Naruto e Dragon Ball, evoluiu para o grafite em preto e cinza e chegou ao hiper-realismo, técnica que busca reproduzir a realidade com perfeição.

Sem incentivo ou reconhecimento formal, a arte era apenas um hobby. Isso mudou quando ele conheceu o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), onde compreendeu que reunia exatamente os três fatores apontados por Renzulli.

“Hoje eu me reconheço e posso ajudar outras crianças e jovens a aprimorar suas habilidades. Isso faz toda a diferença”, afirma.

Isaac agora aplica oficinas de desenho, avalia concursos de artes visuais e também se dedica às artes marciais, mostrando que as Altas Habilidades podem se manifestar em diferentes áreas.

O papel do NAAH/S no Acre

Casos como os de Chiquinho e Isaac evidenciam a importância de identificar e incentivar talentos. O NAAH/S, da Secretaria Estadual de Educação do Acre, atua em Cruzeiro do Sul e municípios vizinhos, auxiliando crianças, jovens e adultos a desenvolverem seu potencial. O atendimento é feito por meio da sala de recursos no Atendimento Educacional Especializado (AEE), garantindo que o público-alvo da Educação Especial, conforme a Lei nº 9.394/96, receba acompanhamento adequado.

Olhar atento para o talento

Essas histórias são um convite para que famílias, professores e a sociedade estejam atentos: aquela criança que vive desenhando, inventando ou criando pode não estar “distraída” — mas sim revelando um talento que merece incentivo. Reconhecer e valorizar essas habilidades transforma não apenas a vida da pessoa, mas enriquece a cultura e a criatividade de toda a comunidade.

Jurua24horas 

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