Cruzeiro do Sul e Vale do Juruá aparecem entre os municípios com mais registros de crimes ligados a drogas, aponta levantamento do MPAC
Um levantamento inédito realizado pelo Ministério Público do Acre (MPAC), por meio do Observatório de Análise Criminal, analisou ocorrências de tráfico, posse e encontro de drogas no estado entre 2020 e julho de 2025. Os dados revelam oscilações significativas e apontam que, além da capital Rio Branco, municípios do Vale do Juruá, como Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó, estão entre os mais citados nos registros.
Em 2021, Cruzeiro do Sul chegou a concentrar 12,06% de todos os casos do Acre, o maior índice do período para o município. Nos anos seguintes, embora os percentuais tenham oscilado, a cidade permaneceu como um dos polos de maior incidência de ocorrências relacionadas a entorpecentes no interior.
A análise mostra ainda que municípios vizinhos também aparecem com frequência nos registros. Em 2024, Sena Madureira respondeu por 8,16% dos casos, enquanto em 2025, até julho, Tarauacá (8,13%) e Sena Madureira (7,83%) ficaram entre os principais fora da capital.
Tendências e variações
Os números gerais apontam um pico em 2021, quando o Acre registrou 2.595 casos, um aumento de 33,5% em relação a 2020. A partir daí, houve queda em 2022 (2.270 casos), estabilidade em 2023 (2.322) e nova redução em 2024 (2.034). Já em 2025, até julho, foram 1.328 registros, um crescimento de 4,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A distribuição mensal de 2025 indica maio como o mês mais crítico, com 234 ocorrências, seguido por julho (203). Quanto aos horários, o período noturno lidera em todos os anos, chegando a representar 41,57% dos casos em 2025.
Em relação aos dias da semana, não há padrão fixo, mas em 2025 as quintas-feiras têm liderado em frequência, seguidas por sextas e sábados.
O cenário no interior
Embora Rio Branco siga concentrando a maior parte das ocorrências — 60,62% em 2025 —, os dados reforçam a necessidade de atenção especial ao Vale do Juruá, onde cidades estratégicas como Cruzeiro do Sul têm registrado participação expressiva nos últimos anos.
O quadro mostra que a região, além de rota de circulação, também enfrenta desafios locais relacionados ao consumo e à comercialização de drogas, o que exige estratégias específicas de enfrentamento e prevenção.
com informações por G1