Custo dos itens essenciais segue elevado no Acre e compromete quase metade do salário mínimo
Mesmo com pequenas variações nos preços, o custo para garantir itens essenciais continua elevado para os trabalhadores acreanos. Dados do Boletim Informativo nº 12/2025, divulgado nesta segunda-feira (12) pela Secretaria de Estado de Planejamento do Acre (Seplan), revelam que uma parcela significativa da renda de quem recebe um salário mínimo ainda é consumida por despesas básicas como alimentação, produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.
De acordo com o levantamento, o valor médio da cesta básica alimentar apresentou leve redução em dezembro de 2025. Ainda assim, o trabalhador precisou dedicar cerca de 79 horas e 39 minutos de jornada laboral apenas para adquirir os alimentos essenciais, reflexo de um custo médio de R$ 549,67. Apesar da queda de 3,16% em relação ao mês anterior, o comprometimento da renda permanece alto.
Quando incluídos os produtos de limpeza doméstica, como sabão, detergente, água sanitária e inseticida, a situação se agrava. A cesta de limpeza custou R$ 85,75, exigindo aproximadamente 12 horas e 25 minutos de trabalho. Diferente da alimentação, esse grupo de itens registrou aumento de 1,24% no período, elevando o esforço necessário do trabalhador.
Já a cesta de higiene pessoal, composta por itens como sabonete, creme dental, papel higiênico e absorventes, manteve relativa estabilidade em dezembro. O custo foi de R$ 25,39, o que corresponde a cerca de 3 horas e 40 minutos de trabalho para aquisição.
Somados, os três conjuntos de itens essenciais demandaram aproximadamente 95 horas e 46 minutos de trabalho no mês de dezembro. Na prática, isso representa mais de duas semanas inteiras de jornada laboral dedicadas exclusivamente à garantia de itens básicos para a subsistência.
Com o salário mínimo vigente de R$ 1.518,00, os gastos com alimentação, higiene e limpeza comprometeram cerca de 43,5% da remuneração bruta do trabalhador acreano. Após os descontos previdenciários, o impacto é ainda maior, alcançando 47,1% do salário líquido.
Os dados reforçam que, apesar de oscilações pontuais nos preços, o custo de vida no Acre segue pressionando o orçamento das famílias, especialmente daquelas que dependem exclusivamente do salário mínimo para sobreviver.