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Acre

Professor constrói o próprio túmulo para evitar despesas à família no interior do Acre

Por Redação Juruá 24 horas 23/01/2026 15:08 Atualizado em 23/01/2026 15:08
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Convivendo com problemas graves de saúde e limitações impostas pela perda da visão, o professor Paulo Onofre Lopes Craveiro, de 60 anos, tomou uma decisão incomum: construiu o próprio túmulo ainda em vida, no município de Tarauacá, no interior do Acre. A escolha, segundo ele, foi motivada pelo desejo de poupar a família de gastos e preocupações futuras.

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Deficiente visual desde 2023 e em tratamento de hemodiálise há cerca de seis anos, Paulo afirmou que passou a refletir mais profundamente sobre a finitude da vida após o agravamento do seu quadro clínico. Foi nesse contexto que decidiu organizar antecipadamente os detalhes do sepultamento.

A sepultura foi construída no Cemitério São João Batista, único da cidade, e concluída em 2025. A obra levou aproximadamente uma semana e teve custo estimado em R$ 6 mil, valor que inclui materiais e mão de obra. Segundo o professor, a ideia surgiu há cerca de cinco anos, quando passou a lidar de forma mais intensa com as limitações causadas pela doença.

— Quando alguém morre, tudo se transforma em despesa. Velório, caixão, sepultamento. Preferi deixar tudo organizado para que minha família não precise se preocupar com isso — explicou.

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A estrutura do túmulo possui uma única gaveta e foi planejada pelo próprio Paulo. O local é revestido com porcelanato preto, possui detalhes em dourado e uma cruz com asas de ferro, inspirada no Salmo 91 da Bíblia. Cada elemento foi escolhido com significado simbólico. “O preto representa o luto, e o dourado remete à luz”, destacou.

Natural de Tarauacá, Paulo se mudou para Cruzeiro do Sul em 2020, após perder a função renal e precisar realizar sessões regulares de hemodiálise, já que o município concentra uma das poucas clínicas especializadas no interior do estado. Ele relatou que complicações decorrentes da diabetes resultaram na perda total da visão entre 2022 e 2023. O tratamento é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o filho, Luã Silva Craveiro, de 35 anos, enfermeiro que mora no Mato Grosso, a decisão do pai reflete um perfil marcado pela autonomia. Segundo ele, a iniciativa foi uma forma de manter o controle sobre a própria vida, mesmo diante das limitações físicas.

— Meu pai sempre foi independente. Com a cegueira e a hemodiálise, ele preferiu tomar essa decisão para não sobrecarregar ninguém — relatou.

Paulo afirmou ainda que sempre desejou ser enterrado em Tarauacá, cidade onde viveu a maior parte da vida e onde estão sepultados familiares. No entanto, a superlotação do cemitério municipal tem dificultado novos sepultamentos. “Hoje, muitas sepulturas são feitas uma sobre a outra. Quando aparece um espaço, já existe outro por baixo”, comentou.

Mesmo diante das dificuldades de saúde, o professor mantém uma rotina ativa. Ele mora com a mãe, de 82 anos, em um apartamento adaptado com recursos de acessibilidade e, fora os dias de tratamento, frequenta balneários e acompanha conteúdos informativos.

— A vida é uma passagem. A morte é um mistério que todos vão enfrentar, mas muita gente evita falar sobre isso — refletiu.

A situação do Cemitério São João Batista é agravada pela demora na construção de um novo espaço funerário no município. A Prefeitura de Tarauacá informou que o novo cemitério já foi licitado e contratado, e que estão em andamento as obras de acesso e pavimentação da área, para que os trabalhos avancem durante o período de verão. Em anos anteriores, o projeto enfrentou entraves relacionados ao licenciamento ambiental.

Com informações do site Zero Hora, Contilnet 

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