Acre mantém índice acima da média nacional no uso de lenha e carvão para cozinhar
O Acre deve encerrar 2025 com 17% dos domicílios utilizando exclusivamente lenha ou carvão na preparação de alimentos, percentual superior à média nacional estimada em 14,5%. Os dados têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, compilados pelo projeto Brasil em Mapas a partir da tendência observada entre 2023 e 2024.
Apesar de ainda estar acima do índice brasileiro, o estado registra uma queda histórica nas últimas décadas. Em 1990, 58,8% da população acreana dependia desse tipo de combustível para cozinhar, enquanto a média nacional naquele ano era de 48%.
Transição energética no país
No Brasil, a redução do uso de lenha e carvão foi impulsionada principalmente pela expansão do gás de cozinha nos lares. Em 1985, 55,5% da população utilizava biomassa para preparo de alimentos. O índice caiu para 48% em 1990 e, em 2025, deve atingir 14,5% — o equivalente a aproximadamente 30,9 milhões de pessoas.
Mesmo com o avanço, cerca de 11 milhões de domicílios brasileiros ainda dependem exclusivamente da biomassa. Entre as famílias de baixa renda, o percentual chega a 25%, evidenciando a relação direta entre vulnerabilidade socioeconômica e acesso limitado a fontes modernas de energia.
Estudo da Empresa de Pesquisa Energética aponta que aproximadamente 90% da lenha consumida em áreas rurais é coletada sem custo, reforçando o vínculo entre baixa renda e esse tipo de combustível.
Diferenças regionais e impactos à saúde
Regionalmente, Norte e Sul apresentam percentuais elevados, com 17% e 16%, respectivamente. Estados como Pará e Rio Grande do Sul figuram entre os que mantêm índices mais altos, influenciados por fatores econômicos e também culturais.
Além da questão social, especialistas alertam para os impactos à saúde. A exposição à fumaça da lenha em ambientes fechados pode gerar níveis de poluição entre 20 e 40 vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde, afetando principalmente mulheres e crianças, que costumam permanecer mais tempo próximos aos fogões.