Mesmo com criação líquida de 27 mil vagas em 13 anos, mercado de trabalho no Acre passa por profunda transformação
O mercado de trabalho no Acre apresentou crescimento líquido de 27 mil ocupações entre 2012 e 2025, mas ao longo desse período passou por uma reconfiguração estrutural significativa, aponta análise baseada na PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mudanças no perfil ocupacional
Embora o número total de pessoas ocupadas tenha aumentado de cerca de 296 mil para 323 mil — um acréscimo de 9,2 % — esse crescimento não foi uniforme entre os setores. A agropecuária, tradicionalmente um dos pilares da economia local, perdeu cerca de 15 mil postos de trabalho, representando uma queda de quase 30 % na ocupação do setor primário.
Essa retração reflete tanto a adoção de tecnologias que reduzem a necessidade de mão de obra rural, como a mecanização e melhorias na produtividade, quanto a tendências de migração rural-urbana e redução da agricultura de subsistência, aponta o relatório.
Setores urbanos impulsionam ocupação
Em contrapartida, os serviços foram os principais responsáveis pelo crescimento do emprego no estado. Destacam-se áreas como:
- Informação, comunicação e atividades profissionais e administrativas, que ampliaram o contingente de empregados em mais de 70 %.
- Administração pública, educação e saúde, que juntas incorporaram cerca de 10 mil novos trabalhadores.
- Outros segmentos urbanos como comércio, transporte e alojamento também registraram expansão significativa de postos de trabalho.
Essa migração da ocupação rural para setores urbanos e terciários indica um processo de modernização e diversificação econômica no Acre, embora também ressalte desafios como a necessidade de qualificação profissional e a criação de oportunidades produtivas no interior.
Desafios pela frente
Apesar da expansão da ocupação e da redução da taxa de desemprego no período analisado, o ritmo de crescimento da força de trabalho foi inferior ao da população em idade ativa — sinalizando que nem todo o potencial demográfico foi absorvido pelo mercado de trabalho.
Especialistas apontam que converter essa transição estrutural em desenvolvimento econômico sustentável exigirá políticas públicas voltadas para educação, qualificação técnica, inovação e apoio a cadeias produtivas que agreguem maior valor à economia local.