Acre está entre estados com maior carga de trabalho do país e supera média nacional de jornadas acima de 40h
Enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força no Congresso Nacional, novos dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE 2023) revelam que o Acre ocupa uma posição de destaque negativo no ranking nacional de carga horária. No estado, a cultura das jornadas longas supera a média brasileira, colocando o trabalhador acreano sob uma pressão laboral superior à de grandes centros industriais como São Paulo e Minas Gerais.
Conforme o levantamento, o Acre ocupa a 6ª posição no ranking nacional em proporção de trabalhadores com carteira assinada que cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Integrando o “bloco marrom” do mapa, que representa o nível mais crítico de carga horária, o estado supera quase todos os seus vizinhos da região Norte, sendo acompanhado apenas por Rondônia e Tocantins nessa intensidade. Esse perfil é impulsionado por uma força de trabalho fortemente concentrada nos setores de comércio e serviços básicos, áreas que historicamente exigem presença contínua e maior disponibilidade dos profissionais.
Panorama nacional
A análise por estado mostra um Brasil dividido. A média nacional de trabalhadores com jornada estendida é de 80,3% (cerca de 35,3 milhões de pessoas). No entanto, o Acre está bem acima desse patamar, aproximando-se dos líderes do agronegócio.
Por que o Acre trabalha tanto?
Diferente do Distrito Federal, que apresenta a menor proporção do país (70,4%) devido à predominância do setor público e serviços especializados, o Acre reflete uma realidade comum a estados de fronteira e economias em desenvolvimento: a dependência de escalas que ocupam seis dias da semana para manter o comércio e a logística local funcionando.
Os dados reforçam que o trabalhador de carteira assinada no Acre dispõe de menos tempo para descanso, estudo e convívio familiar do que a média do brasileiro. Enquanto em estados como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) a proporção de jornadas acima de 40h é visivelmente menor, no Acre a escala 6×1 ainda é a espinha dorsal do emprego formal.
Os dados são da RAIS/MTE 2023 e consideram apenas trabalhadores com carteira assinada (CLT). Servidores públicos e trabalhadores autônomos não estão incluídos no cálculo.
a gazeta do acre