Com previsão de mais chuva, 62 famílias seguem em abrigos e aguardam descida do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul
A força das águas e a instabilidade climática continuam exigindo uma resposta rápida do poder público no Vale do Juruá. Mesmo apresentando sinais de vazante, o Rio Juruá permanece com mais de 80 centímetros acima da cota de transbordamento. Diante desse cenário de risco, 62 famílias continuam alojadas em abrigos municipais de Cruzeiro do Sul, sem uma previsão exata para o retorno seguro às suas residências.
Para evitar tragédias, uma grande força-tarefa foi montada no fim de semana para evacuar os moradores das áreas mais atingidas, priorizando as residências onde a água já cobria o assoalho. Ao todo, 59 destas famílias foram retiradas de suas casas de forma emergencial em uma única frente de trabalho.
Segundo o Major Josadac Cavalcante, comandante do Corpo de Bombeiros, foi necessário um esforço conjunto sem precedentes para garantir agilidade ao resgate.
“Foram mais de 150 pessoas envolvidas diretamente para dar uma resposta rápida. Tivemos o apoio do Exército Brasileiro, da Polícia Militar, do Gefron apoiando com embarcações, e as secretarias do Estado e da Prefeitura. Foram muitas pessoas envolvidas, tanto no suporte com barcos quanto com caminhões”, detalhou o comandante.
Água potável e alerta de tempestade
Com a estabilização das famílias nos abrigos, o foco da operação mudou nas últimas 24 horas. Agora, as equipes da Defesa Civil Municipal e dos Bombeiros estão concentradas em entregar água potável de barco para os moradores que permanecem ilhados em áreas inundadas e sem acesso a serviços básicos.
A ansiedade das famílias para voltar aos seus lares esbarra na precaução das autoridades, já que a dinâmica do rio depende do volume de precipitação em seus afluentes.
“Até o dia 7, ainda temos previsão de chuvas chegando a mais de 60 milímetros. Isso pode influenciar e inclusive retardar a descida do Rio Juruá aqui na cidade”, alertou o Major Josadac.
O monitoramento ininterrupto das réguas do rio está sendo feito de Marechal Thaumaturgo (AC) até Ipixuna (AM). Segundo o Corpo de Bombeiros, o cenário meteorológico só começa a apresentar um alívio real a partir do dia 9, quando a quantidade de chuva deve cair substancialmente. Até lá, o cruzamento rigoroso dessas informações é o que guiará a Defesa Civil Municipal para definir o momento exato e seguro para o retorno dos moradores.