Modelo acreana de origem indígena estrela campanha internacional da Gucci
A modelo acreana Gabriely Dobbins, de 19 anos, é uma das estrelas da campanha global da Gucci, uma das marcas mais tradicionais da moda de luxo. A confirmação foi feita pela própria profissional nas redes sociais na última sexta-feira (24). Natural de Sena Madureira, no interior do Acre, a jovem é descendente do povo indígena Huni Kuin (Kaxinawá).
O anúncio representa um avanço na carreira internacional da modelo, que já vinha em ascensão no circuito da moda. Gabriely tem consolidado espaço em passarelas e campanhas dentro e fora do país.
Gabriely começou a trajetória ainda na adolescência, após vencer um concurso de beleza em Sena Madureira. Um vídeo da participação chamou a atenção de um produtor, o que abriu portas para que ela ingressasse em uma agência de modelos. Pouco tempo depois, passou a trabalhar com a Way Model Management, empresa com atuação nacional e internacional.
A modelo se mudou para São Paulo para investir na carreira. Desde então, participa de desfiles, editoriais e campanhas publicitárias, chamando atenção pelo perfil e pelos traços indígenas – herança familiar que vem da bisavó.
Antes da campanha da Gucci, Gabriely já era reconhecida no cenário nacional. Em março deste ano, ela foi anunciada como uma das semifinalistas do FFW Brasil Fashion Awards, premiação que destaca profissionais da moda brasileira com base no desempenho ao longo de 2025.
Em abril de 2024, a acreana participou pela terceira vez da São Paulo Fashion Week (SPFW), considerada a maior semana de moda do Brasil, e desfilou para oito marcas durante a edição. Já em outubro de 2025, Gabriely alcançou um marco na carreira ao estrear internacionalmente na Paris Fashion Week. Na ocasião, a modelo desfilou com exclusividade para a marca francesa Chloé, após cerca de um mês e meio de preparação. A participação marcou o primeiro trabalho da jovem fora do Brasil.
Gabriely foi emancipada aos 16 anos. Ela é acompanhada e incentivada pela mãe, Aleyxandra Marques. Em 2024, a mãe conversou com o Grupo Rede Amazônica e falou das dificuldades do início da carreira da filha.
“No início não foi fácil. Tinha que pagar book, pagar aula de passarela, mas aí quando ela chegou em São Paulo, já fez tudo isso e tinha agendado um editorial pra Vogue”, disse Aleyxandra.
A mãe deixou a academia que tinha em Rio Branco para acompanhar a filha na carreira de modelo. Para custear os primeiros meses, alugou os equipamentos do espaço, entregou a casa onde moravam e vendeu os móveis. Após três meses de preparação na capital paulista, a jovem começou a ser chamada para trabalhos e castings.