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Acre

Tráfico pelos rios amplia violência e presença do crime organizado no interior do Amazonas

Por Redação Juruá 24 horas 04/04/2026 08:40 Atualizado em 04/04/2026 08:40
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O avanço do tráfico de drogas pelas hidrovias tem intensificado a violência no interior do Amazonas. É o que aponta o estudo “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, do projeto Amazônia 2030, divulgado em março.

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Segundo o relatório, os rios da região passaram a funcionar como rotas estratégicas para o tráfico internacional de cocaína, conectando países produtores a Manaus, que atua como centro de distribuição para outras regiões do Brasil e do exterior.

A mudança nas rotas começou nos anos 2000, após o reforço no combate ao tráfico aéreo, que encareceu esse tipo de transporte e levou organizações criminosas a migrarem para os rios.

Com isso, o crime avançou sobre áreas antes isoladas. Comunidades ribeirinhas e municípios do interior passaram a integrar essa rede, o que contribuiu para o aumento da violência, especialmente a partir de 2010.

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O estudo também destaca que a violência está associada à sobreposição de atividades ilegais, como grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, garimpo de ouro e atuação de facções criminosas.

Municípios como Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Japurá, Barcelos e Canutama apresentam alto risco acumulado, concentrando múltiplos fatores que elevam a vulnerabilidade à violência. Nessas áreas, o crescimento dos homicídios foi mais intenso nos últimos anos.

Além disso, desde meados da década de 2010, facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) ampliaram sua presença na região, aumentando a disputa por rotas e territórios, principalmente em cidades menores.

Com esse cenário, o perfil da violência mudou. Antes ligado à disputa por terra e recursos naturais, agora está conectado a redes do crime organizado com atuação internacional.

Diante disso, os pesquisadores alertam que medidas isoladas, como fiscalização ambiental e regularização fundiária, já não são suficientes. O estudo defende a integração de ações de segurança pública, controle territorial e combate ao crime organizado.

ac24horas

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