Comunidade indígena Ashaninka no Peru se torna referência em gestão sustentável de florestas na Amazônia
A comunidade indígena Ashaninka Coriteni Tarso, localizada em Satipo, na região de Junín, no Peru, tornou-se referência em gestão sustentável de florestas na Amazônia. O reconhecimento veio da Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e da Vida Selvagem do Peru, o Osinfor, que destacou o trabalho da comunidade como modelo para outras populações da Selva Central.
A trajetória, no entanto, não foi linear. Há dez anos, a comunidade iniciou atividades madeireiras sem o conhecimento técnico necessário, o que resultou em infrações e duas sanções oficiais. A falta de preparo permitiu ainda que empresários externos manipulassem informações sobre o volume da madeira extraída. “No começo, não sabíamos como realizar a vigilância correta dos nossos recursos. Os empresários nos enganaram sobre o volume da nossa madeira”, relatou Brandon Mahuanca Ramírez, jovem membro do comitê de vigilância da comunidade.
A virada começou em 2017, quando a comunidade decidiu mudar de atitude e adotar novas práticas. Com o apoio do Osinfor por meio do programa Mochila Florestal, os moradores passaram por treinamentos interculturais realizados dentro da própria floresta. Aprenderam a mensurar a madeira, registrar dados em cadernos de campo e garantir a rastreabilidade da extração. “Agora monitoro a extração da madeira da minha floresta”, disse Brandon.
A comunidade contratou um engenheiro florestal para acompanhar tecnicamente o processo e passou a negociar em condições mais justas com empresas externas. O chefe da comunidade, Nelbyn Izaguirres Camaiteri, celebrou a transformação. “Com o treinamento deles, aprendemos nosso papel principal e, acima de tudo, não devemos nos deixar enganar”, afirmou.
Os resultados são concretos. Nos anos de 2017, 2019, 2024 e 2026, a comunidade passou com sucesso nas supervisões florestais do Osinfor. No último ano, recebeu certificado de cumprimento das obrigações florestais. Além da floresta preservada, a comunidade conta hoje com estradas, acesso à internet, infraestrutura comunitária e novas atividades econômicas como piscicultura e agricultura. “Os verdadeiros Asháninka conservam suas florestas, porque na floresta há vida e sustento”, concluiu Brandon.
Com informações da Agência Andina