“Minha mãe era tudo na minha vida”: aos 66 anos, Rocilda chora ao lembrar da mãe e mantém viva a tradição do almoço em família no Dia das Mães
A voz de Rocilda de Sousa Melo, 66 anos, mudou de tom assim que o assunto chegou à mãe. O sorriso ainda estava no rosto, mas os olhos já não acompanhavam. “Não gosto nem de falar, que eu já choro”, disse ela, antes de continuar assim mesmo – chorando e talando, porque a saudade não cabe em silêncio.
Rocilda é mãe de quatro filhos e diz que a vida lhe deu muito para agradecer. Mas no Dia das Mães, a alegria divide espaço com a falta. A mãe, que trabalhou ao lado dela até o fim da vida, deixou um vazio que nenhuma data consegue preencher — e uma herança que Rocilda faz questão de preservar.
“Aonde eu estava, ela era mais eu. Ficou aqui na pensão comigo, até o dia de ela morrer ficou aqui trabalhando mais eu”, lembrou. “Minha mãe era tudo na minha vida.” A proximidade entre as duas não era apenas afetiva. Era cotidiana, concreta, feita de trabalho compartilhado e presença constante. Rocilda não precisava procurar a mãe — ela estava ali, do lado, todos os dias. Por isso, a ausência pesa de um jeito particular. Não é a saudade de quem via pouco. É a de quem estava sempre junto.
Questionada se tem arrependimentos, ela foi direta: não.
Fez tudo o que pôde enquanto a mãe estava viva. E, justamente por isso, o conselho que deixou foi firme.
“Cuide da sua mãe que está viva. Se a minha fosse viva ainda, eu faria mais do que fiz com ela. Não me arrependo pelo que fiz com a minha mãe.” Mas a maior homenagem que Rocilda presta à mãe não vem em palavras. Vem à mesa. No Dia das Mães, ela reproduz o almoço em família que a mãe sempre preparava — do mesmo jeito, com os mesmos filhos reunidos, no mesmo espírito de união que aprendeu ainda criança. “O jeito que ela fazia é o que a gente faz lá em casa”,
“, contou. “Sigo o exemplo da minha mãe.”
O costume se estende também ao Dia das Crianças. A mãe de Rocilda celebrava a data com os filhos, e esse hábito foi passado adiante. Há dois anos, Rocilda assumiu a tradição e passou a repeti-la com a própria família. Uma corrente de afeto que atravessa gerações sem precisar de explicação.
“Hoje é eu com meus filhos. A gente faz o almoço do jeito que ela fazia. Com a gente”