O Acre enfrenta em 2026 um dos cenários mais preocupantes dos últimos anos em relação às doenças respiratórias. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) revelam que o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) chegou a 1.438 casos entre as semanas epidemiológicas 1 e 21, o maior volume registrado no período desde 2024.
O total representa um aumento de 27,3% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.130 internações, e um crescimento ainda maior de 35,7% na comparação com 2025, que registrou 1.060 casos.
Os números colocam o Acre em um cenário de alerta epidemiológico, marcado pela superlotação de leitos e aumento da demanda hospitalar, principalmente na rede pediátrica.
Diferentemente dos anos anteriores, quando a Covid-19 elevava principalmente os índices entre idosos, o atual surto tem como principal característica o impacto sobre crianças pequenas.

Os dados mostram que a faixa etária de 2 a 4 anos lidera as internações, com 312 registros. Em seguida aparecem crianças de 5 a 9 anos, com 273 casos, e menores de 2 anos, com 222 internações. Entre os idosos acima de 60 anos, foram registradas 266 internações.
Segundo os especialistas da Sesacre, o comportamento epidemiológico demonstra que os extremos da vida continuam sendo os grupos mais vulneráveis às complicações respiratórias, mas em 2026 a pressão hospitalar se concentrou de forma inédita na população infantil.
A análise laboratorial aponta que o avanço das internações está diretamente relacionado à circulação simultânea de diversos vírus respiratórios. Entre os agentes mais identificados em pacientes hospitalizados estão o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus, Influenza A, Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2), SARS-CoV-2, Adenovírus, Metapneumovírus, Parainfluenza e Bocavírus.
Os especialistas destacam que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o Rinovírus são os principais responsáveis pelo atual aumento das hospitalizações, especialmente entre crianças.
A distribuição geográfica das notificações acompanha a concentração populacional do estado. Rio Branco lidera com 575 casos registrados, seguida por Cruzeiro do Sul, com 223 notificações.

Entretanto, municípios do interior também chamam a atenção das autoridades sanitárias. Marechal Thaumaturgo, Feijó e outras cidades isoladas registraram crescimento relevante de casos, demonstrando que a circulação viral alcançou praticamente todas as regiões do Acre.
O boletim mostra que a maior sobrecarga ocorre nas unidades de referência pediátrica. O Hospital Infantil Yolanda Costa e Silva, em Rio Branco, aparece como a unidade mais pressionada do estado, com 401 notificações de SRAG.
Logo atrás está o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, que contabilizou 386 casos. Outras unidades com elevado volume de atendimentos incluem o Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (HUERB), com 156 casos; a Unidade Mista de Marechal Thaumaturgo, com 101; a Fundhacre, com 95; a Pronto Clínica de Rio Branco, com 75; o Hospital Dr. Abel Pinheiro Maciel Filho, com 67; e o Hospital Geral de Feijó, com 61 notificações.
Os números evidenciam uma forte pressão sobre a rede hospitalar acreana, especialmente nos serviços de média e alta complexidade.
Embora o volume de casos tenha aumentado significativamente, o Acre registrou uma redução importante na mortalidade. A taxa global de letalidade caiu para 2,99% em 2026, resultado atribuído à mudança do perfil dos vírus em circulação.
Entre os idosos, por exemplo, os óbitos despencaram de 58 em 2024 para 37 em 2025 e apenas 13 em 2026.
Por outro lado, as crianças menores de dois anos passaram a preocupar as autoridades sanitárias. O número de mortes nessa faixa etária subiu de duas em 2024 para quatro em 2025 e alcançou 10 óbitos em 2026, o maior registro dos últimos três anos.
Para os técnicos da Sesacre, esse comportamento é compatível com surtos de Vírus Sincicial Respiratório, conhecido por provocar quadros graves de bronquiolite e pneumonia em lactentes.
Além dos casos graves, o Acre registrou 9.441 atendimentos por síndrome gripal nas unidades sentinelas entre janeiro e maio deste ano. Embora o número seja inferior ao registrado em 2025, quando houve 11.180 consultas, a curva epidemiológica voltou a crescer nas últimas semanas, especialmente após a Semana Epidemiológica 19.
A faixa etária entre 20 e 29 anos permanece liderando a procura por atendimento ambulatorial, representando a maior parcela dos casos leves da doença.
Diante do cenário, a Sesacre reforça a importância da vacinação, principalmente para crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas. A orientação também inclui higienização frequente das mãos, uso de máscaras por profissionais de saúde e pessoas com sintomas, adoção da etiqueta respiratória e busca precoce por atendimento médico em casos de agravamento dos sintomas.
Com o aumento contínuo das internações e a manutenção da circulação de diversos vírus respiratórios, as autoridades sanitárias alertam que o Acre permanece em situação de atenção e vigilância reforçada para evitar o agravamento da crise respiratória nas próximas semanas.
ac24horas
