Início / Versão completa
Acre

Falso médico acreano que faturou R$ 6 milhões de hospital em SP é condenado a 17 anos de prisão

Por Redação Juruá 24 horas 21/11/2023 21:59 Atualizado em 21/11/2023 21:59
Publicidade

Um falso médico que abriu uma empresa de prestação de serviço hospitalar e realizou mais de 200 plantões na Santa Casa de Misericórdia da Tatuí, no interior de São Paulo, foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, por peculato, exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, uso de documento falso e falsificação de documento público. Ele recorre da sentença em liberdade.

Publicidade

O acusado é o acreano João Paulo Primus Fernandes da Costa, de 44 anos, que se passou por outra pessoa para gerir equipe de médicos e atender pessoalmente pacientes em plantões e consultas regulares no hospital. Ele também é suspeito de ter trabalhado em ambulâncias e prontos-socorros de Itapetininga e Itapeva, também no interior paulista, antes de conseguir o contrato com a Santa Casa.

Segundo o site Metrópoles, que teve acesso ao processo, João Paulo afirma que é formado em medicina, desde 2012, pela Universidade Ecológica da Bolívia, mas admite que não validou o diploma no Brasil, nem tinha registro profissional no Conselho Regional de Medicina (CRM).

João Paulo usou o nome de um reumatologista de Rondônia para abrir a empresa “Fernandes & Silva Serviços Médicos Ltda”, em sociedade com a irmã, que recebeu R$ 6.011.250,14 da Santa Casa de Tatuí. Do valor total, pelo menos R$ 253.797,84 teriam sido repassados para ele.

Publicidade

Para isso, o golpista fez uma inscrição secundária, no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), falsificando documentos do médico verdadeiro, cujo nome foi usado para fazer o registro da empresa. Em 2019, o médico real, que teve a identidade usurpada, publicou um vídeo sobre o caso.

“Fui vítima de um estelionatário, de uma quadrilha que faz uso de documentações falsas para exercer ilegalmente a medicina no estado de São Paulo. A pessoa já atuava há mais de três anos com meu nome, com documentações extraviadas, que devem ter sido burladas e falsificadas”, declarou, na ocasião.

A decisão de condenar João Paulo foi da 9ª Câmara de Direito Criminal, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), no início deste mês. O relator do caso, desembargador Sérgio Coelho, considerou que o réu agiu com “extrema gravidade” e colocou em risco a saúde e a vida de centenas de pessoas.

“O réu, além de não possuir habilitação para o exercício da medicina, utilizou-se de documentos falsos para obter vantagem indevida, em detrimento do patrimônio público e da saúde da população, causando prejuízo ao erário e à coletividade”, afirmou o magistrado.

Com o avanço da investigação, João Paulo saiu de São Paulo e virou alvo da Operação Cochabambas, deflagrada pela Polícia Federal (PF), em 2019. Na ocasião, os investigadores cumpriram sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao falso médico nas cidades de Santa Luzia D’Oeste, Rolim Moura e Ji-Paraná, em Rondônia.

jurua24horas

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.