Início / Versão completa
Acre

Justiça suspende licitações para obras no trecho do meio da BR-319

Por Redação Juruá 24 horas 29/04/2026 08:48 Atualizado em 29/04/2026 08:48
Publicidade

A Justiça Federal do Amazonas suspendeu, nesta terça-feira (28), os processos de licitação para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. A decisão liminar da juíza Mara Elisa Andrade vale por 70 dias.

Publicidade

A medida atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A suspensão atinge quatro pregões eletrônicos lançados pelo órgão no dia 13 de abril, que previam contratar empresas para serviços em diferentes trechos da rodovia. O investimento estimado é de R$ 678 milhões. As sessões estavam marcadas para esta quarta (29) e quinta-feira (30).

Na ação, o Observatório do Clima afirma que o Dnit enquadrou as intervenções como manutenção para dispensar o licenciamento ambiental. A entidade argumenta, porém, que os serviços indicam reconstrução e pavimentação da estrada, o que exigiria estudos de impacto ambiental.

Ao analisar o caso, a juíza apontou indícios de irregularidade nessa classificação e destacou o risco de danos ambientais. “O proponente da obra não pode ser juiz de si mesmo”, destacou a magistrada na decisão.

Publicidade

A juíza também ressaltou que o trecho da BR-319 corta uma área de alta sensibilidade ecológica na Amazônia, já pressionada por desmatamento, grilagem de terras e ocupação irregular.

Risco de danos irreversíveis

A decisão cita estudos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que classificam a obra como de significativo impacto ambiental. De acordo com esses documentos, a pavimentação da rodovia pode aumentar o desmatamento, estimular a abertura de estradas ilegais e intensificar a ameaça sobre áreas protegidas e terras públicas.

Para a magistrada, permitir o andamento das licitações neste momento poderia levar à assinatura de contratos e ao início das obras antes de uma análise completa, criando uma situação difícil de reverter.

O que muda na prática

Com a decisão, os pregões ficam suspensos por 70 dias. Nesse período:

Caso a decisão não seja cumprida, a Justiça fixou multa de R$ 1 milhão.

Após receber as informações dos órgãos envolvidos, a Justiça deve reavaliar a medida para decidir se mantém ou revoga a suspensão. O processo ainda será julgado no mérito, o que significa que a decisão final vai definir se as licitações poderão continuar ou se serão anuladas.

Editais publicados

No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 quilômetros da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

Os editais abrangem quatro segmentos da rodovia: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.

Entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.

O Grupo Rede Amazônica procurou o Dnit, o Ministério dos Transportes e o Ibama para comentar a decisão, mas até a última atualização desta reportagem não houve retorno.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.