A Prefeitura de Cruzeiro do Sul decretou Situação de Emergência Nível I nesta terça-feira (18), em razão da enchente do Rio Juruá, que já atinge 12 bairros e 11 comunidades rurais. Com o nível do rio marcando 13,65 metros, diversas áreas estão alagadas, forçando a remoção de famílias e impactando serviços essenciais.
Na manhã de hoje, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros realizaram a retirada da primeira família afetada pela cheia. Eles foram levados para um abrigo montado na Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo. Outras quatro famílias já solicitaram apoio para serem levadas aos abrigos, e duas buscaram refúgio em casas de familiares.
A moradora Raiane Quirino, da Comunidade Olivença, relatou a difícil situação enfrentada. “Minha casa já estava com o assoalho coberto pela água. Passei uma noite na casa da minha cunhada até que o Corpo de Bombeiros pudesse me ajudar a retirar minhas coisas. Se não tivessem me socorrido, teria perdido tudo”, disse.
O prefeito Zequinha Lima, acompanhado por equipes da Defesa Civil e da Secretaria de Assistência Social, vistoriou as áreas mais afetadas, incluindo a Comunidade Boca do Moa. Ele destacou que a cada 12 horas o rio sobe cerca de 4,5 centímetros, exigindo monitoramento constante e ações rápidas para garantir a segurança da população.
O coordenador da Defesa Civil, José Lima, informou que mais de 170 famílias estão sem energia elétrica devido à inundação, o que também compromete o acesso à água potável. Segundo ele, a cota de transbordo do Rio Juruá foi ultrapassada em 65 centímetros, exigindo respostas emergenciais.
Diante da crise, o Decreto Municipal n° 374/2025 permite a mobilização de todos os órgãos públicos para atuar na assistência às vítimas e recuperação dos locais atingidos. O decreto também autoriza a convocação de voluntários para ajudar no resgate e arrecadação de donativos, além da possibilidade de desapropriação de áreas consideradas de alto risco.
Além disso, contratações emergenciais sem licitação foram autorizadas para a aquisição de bens e serviços essenciais ao socorro da população. Essas medidas serão válidas por 180 dias, podendo ser reavaliadas conforme a evolução da situação.
A cheia do Rio Juruá também afetou o funcionamento de sete escolas, incluindo unidades no bairro Miritizal e na Comunidade Boca do Moa. Algumas dessas instituições, como as escolas Corazita, Marechal Thaumaturgo e Marcelino Champagnat, estão sendo preparadas como abrigos para as famílias desalojadas.
A secretária de Educação, Rosa Lebre, explicou que a decisão de suspender as aulas foi tomada após uma vistoria que constatou o avanço da água nos terrenos das escolas. “Não podemos colocar alunos e professores em risco. Vamos garantir que essas aulas sejam repostas no futuro”, afirmou.
A Secretaria de Assistência Social e Cidadania, liderada por Milca Santos, garantiu que os abrigos estão equipados para fornecer alimentação e acompanhamento social às famílias deslocadas.
Redação Jurua24horas