Foto: ContilNet
Cruzeiro do Sul tem sido palco de uma onda crescente de estelionatos nos últimos meses. Segundo o delegado Lindomar Ventura, pelo menos 20 casos foram registrados somente no primeiro trimestre deste ano, um número alarmante que pode ser ainda maior, já que muitas vítimas não formalizam denúncia na delegacia.
O golpe mais comum identificado pelas autoridades consiste na venda fraudulenta de bens, como veículos e imóveis. O estelionatário, sem se expor fisicamente, usa aplicativos de mensagens para se passar por um intermediário ou até mesmo pelo proprietário real do bem. Ele engana tanto o vendedor quanto o comprador, criando uma falsa negociação e induzindo a vítima a depositar dinheiro em contas de terceiros, conhecidas como “contas laranjas”.
O delegado alerta que as transações ocorrem de maneira muito bem planejada. “O criminoso estuda a região, utiliza informações reais para ganhar a confiança da vítima e impede que as partes envolvidas conversem diretamente. Assim, ele consegue ludibriar ambos e, uma vez que o dinheiro é transferido, desaparece”, explica Ventura.
Os prejuízos financeiros são significativos. Em um dos casos mais recentes, um comprador foi enganado ao tentar adquirir um veículo e perdeu R$ 10 mil. Assim que o valor foi depositado, o criminoso bloqueou o contato com as vítimas, deixando tanto o comprador quanto o real proprietário do bem no prejuízo.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pela polícia é a recuperação dos valores desviados. Embora exista um mecanismo do Banco Central para contestação de transações via PIX, os criminosos agem rapidamente e retiram os fundos antes que qualquer reembolso seja efetivado. Na maioria das vezes, as contas utilizadas pertencem a terceiros que sequer sabem que seus dados foram usados para a prática criminosa.
A polícia orienta a população a redobrar os cuidados ao negociar bens de alto valor. Algumas recomendações incluem:
– Evitar transações financeiras com pessoas que não se identificam ou que negociam exclusivamente por mensagens.
– Confirmar diretamente com o proprietário a autenticidade da venda antes de realizar qualquer pagamento.
– Desconfiar de ofertas com valores muito abaixo do mercado, pois esse é um dos principais atrativos usados pelos golpistas.
– Sempre realizar as transações presencialmente, em locais seguros e com testemunhas.
A crescente incidência desses golpes acende um alerta, e a polícia reforça a importância da denúncia para que mais investigações possam ser conduzidas. “Estamos lidando com mais de 500 casos acumulados ao longo dos últimos anos e seguimos trabalhando para combater esse tipo de crime. No entanto, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar prejuízos”, conclui o delegado.
A recomendação das autoridades é clara: desconfie de negociações feitas apenas por mensagens e nunca realize pagamentos sem total segurança sobre a legitimidade da transação. O cuidado pode evitar que mais pessoas caiam nesse tipo de golpe e sofram perdas irreparáveis.
Por Contilnet